Poços de Caldas (MG) – Muito além das competições e dos tatames, as artes marciais vêm se consolidando como uma poderosa ferramenta de inclusão social, disciplina e transformação de vidas em Poços de Caldas. Um destes trabalhos que vem se destacando na cidade é dos profissionais da Academia Mubarack Fight Club. Ali fica claro que o esporte pode ser um caminho real para o desenvolvimento pessoal, escolar e emocional, com destaque especial para o acolhimento de crianças neurodivergentes, como autistas e portadoras de TDAH.
A academia fica localizada no bairro Jardim Vitória, sob a coordenação do educador físico Guilherme Jamil Moraes Mubarack, profissional pós-graduado em artes marciais mistas e que há anos atua com modalidades como boxe, Muay Thai, kickboxing, jiu-jitsu e submissão.
Segundo Guilherme, o principal objetivo da academia não está apenas na competição, mas na construção de valores. “Nosso foco é a parte educacional que o esporte promove. A arte marcial é uma ferramenta de transformação para a vida das crianças. A gente trabalha disciplina, respeito, concentração e desenvolvimento pessoal. A competição pode acontecer, mas ela não é o principal”, destaca.
A academia oferece diversas modalidades e busca acolher todos os perfis de alunos, inclusive aqueles que nunca imaginaram praticar uma arte marcial. “A gente tem uma metodologia muito bacana para acolher qualquer pessoa, em qualquer necessidade. Temos professores preparados para atender e mostrar que as artes marciais podem servir para todos”, afirma.
Embora a equipe esteja iniciando agora a formação de atletas de competição, principalmente no jiu-jitsu, o trabalho segue centrado na formação cidadã. “Levar crianças e adolescentes para campeonatos também faz parte da formação deles, mas o nosso foco principal continua sendo educacional”, reforça Guilherme.
Inclusão social e acolhimento no tatame
Outro grande destaque desse trabalho está no projeto conduzido pelo professor Luiz Kenji Sato, que atua fortemente com o jiu-jitsu infantil e com a inclusão de crianças neurodivergentes.
Segundo ele, o objetivo principal nunca foi formar campeões mundiais, mas sim formar cidadãos. “A nossa intenção maior é a parte infantil e a inclusão social, principalmente com crianças neurodivergentes. Trabalhamos muito com crianças com TDAH e autistas. O que queremos é formar pessoas com futuro, com foco e com uma boa base”, explica.
Kenji destaca que a academia possui uma instrutora preparada especialmente para lidar com essas crianças, sempre priorizando o acolhimento sem qualquer tipo de segregação. “A gente evita qualquer tipo de discriminação. Não separamos essas crianças. Pisou no tatame, todo mundo é igual. O respeito entre elas é muito bonito de ver”, afirma.
Segundo ele, os resultados aparecem rapidamente no comportamento e também no desempenho escolar. “As famílias ficam satisfeitas porque as crianças ganham mais foco, mais concentração e isso reflete diretamente na escola. Aqui, inclusive, se o aluno vai mal no boletim, ele não pode treinar. O esporte vem junto com a responsabilidade escolar.”
Essa filosofia faz parte do projeto “Laços Fortes”, que pretende ampliar ainda mais esse atendimento social e esportivo em Poços de Caldas.
A proposta é transformar a região em um polo esportivo, abrangendo bairros como Jardim Vitória, Morumbi, Santa Ângela, Santa Augusta e Santa Maria, oferecendo atividades gratuitas para cerca de 100 a 150 crianças e adolescentes, além da participação ativa das famílias.
A ideia é simples e poderosa: integrar pais, mães e filhos no mesmo ambiente esportivo. “Não queremos incluir só a criança. Queremos incluir a família toda. Se o pai quiser treinar, a mãe quiser treinar, eles também vão participar. Vamos ter jiu-jitsu feminino, Muay Thai masculino e feminino. O objetivo é unir todo mundo dentro do esporte”, explica Kenji.
Mudança real dentro de casa
Os benefícios dessa inclusão já são percebidos por muitas famílias. O pai Lucas André da Silva Teófilo relata a transformação vivida pelo filho Murilo, de oito anos, diagnosticado com TDAH. “Antes ele era muito agitado, impulsivo e não conseguia se concentrar direito. Depois que começou aqui, ele está mais calmo, com comportamento melhor e sabendo lidar mais com determinadas situações. Para ele é excelente, e para mim também”, conta.
Segundo Lucas, o menino já havia passado por outras atividades, como a natação, mas foi nas artes marciais que encontrou motivação verdadeira. “Na luta ele não quer sair. Ele quer evoluir, quer ganhar grau, quer trocar de faixa. Isso faz muito bem para ele.”
Apoio e fortalecimento do projeto
O trabalho também recebeu reconhecimento público do vereador Wellington Guimarães, o Paulista, que destacou a importância da iniciativa para bairros que necessitam de mais atividades de formação social e esportiva. “Esse projeto faz a diferença. São crianças, adolescentes, jovens e adultos sendo acolhidos com muita inclusão e disciplina. Queremos que isso tenha ainda mais apoio junto à Secretaria de Esportes para ampliar esse atendimento, principalmente nessa região que precisa muito desse tipo de atividade”, afirmou.
Para ele, as artes marciais representam muito mais do que esporte. “Elas ajudam na disciplina, no comportamento, no respeito e na formação de cidadãos. É um projeto que merece crescer.”