quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Grafitte chega para reforçar a lateral direita da Caldense

Poços de Caldas, MG - Grafitte está chegando para reforçar a Caldense, mas não é aquele jogador que se destacou no São Paulo e que defendeu o Santa Cruz no último Brasileiro. O Grafitte que desembarca no Centro de Treinamentos Ninho dos Periquitos é lateral direito e estava defendendo as cores do São Caetano. O jogador vem por empréstimo para a Caldense. “Trata-se de um bom jogador e espero que corresponda a nossa expectativas e seja um bom reforço para a equipe. Ele faz muito bem o corredor pelo lado direito e será muito útil ao técnico Thiago Oliveira”, diz Alex Joaquim. Segundo ele, Grafitte é o último reforço da Caldense, que fecha o ciclo de contratações para a temporada. “O time só volta a contratar em caso de emergência ou se algum jogador se lesionar”.

Treino
A tarde de ontem foi de muita atividade no Ninho dos Periquitos. Thiago Oliveira comandou um treino técnico onde cobrou muito de sua equipe. Posse de bola, defesa e finalizações foram os principais focos da atividade. O time volta a treinar hoje em dois períodos. A estreia no Campeonato Mineiro acontece dia 29 de janeiro em Patos de Minas contra a URT. No próximo dia 14 o time enfrenta o Ituano, em Itu, e dia 29 joga contra o São Caetano em Águas de Lindóia. Estes deverão ser os únicos jogos testes. O time tentava uma partida para o dia 10, mas as negociações com o Deportivo Brasil acabaram não dando certo.

Gramado do Ronaldão já apresenta boas condições de jogo e Caldense programa treinos no local

Poços de Caldas, MG - O Mantiqueira visitou ontem o estádio municipal Dr. Ronaldo Junqueira e viu de perto o trabalho que está sendo feito em seu gramado. As melhorias estão em fase final e o resultado vem surpreendendo positivamente.  O estádio ficou interditado durante dois meses para os trabalhos e deverá ser reaberto depois do dia 15, quando a Caldense começa a treinar no palco onde mandará seus jogos no Campeonato Mineiro e Brasileiro da Série D.

A obra
O gramado do Ronaldão recebeu 22 caminhões de areia para cobrir os buracos e revitalizar a grama, que foi plantada há mais de 30 anos. “Estamos satisfeitos com o resultados, sabemos que não ficará 100%, porém, será bem melhor do que era. Ainda tem um pouco de areia, mas isto é normal, até mesmo nas principais arenas do Brasil. Vamos conseguir ter uma avaliação melhor de como ficou o gramado quando o time fizer seus primeiros treino lá, mas certamente dará tudo certo”, disse Alex Joaquim, gerente de futebol.
A reportagem procurou o secretário de Esportes Wellington Alber Guimarães, o Paulista, que destacou uma grande melhoria no gramado. Ex-jogador, Paulista sabe das dificuldades encontradas no local e acredita que as melhorias feitas em parceria com Secretaria de Esportes e Caldense dará bons resultados. “Existem melhorias no gramado, claro que não uniforme, pois existem partes que precisam evoluir, mas o trabalho tem sido intenso  e tanto a Secretaria de Esportes, quanto a Caldense, se empenharam bastante neste trabalho que precisava ser feito.  Os funcionários da Secretaria se dedicaram quase que em tempo integral neste projeto e fizemos tudo o que foi pedido”, disse Paulista. Na próxima semana o secretário de Esportes se reunirá com o gerente de futebol da Caldense Alex Joaquim e com o treinador Thiago Oliveira para discutir as datas de treinos da equipe no local. “Queremos que a Caldense faça um bom campeonato e que o gramado do Ronaldão não seja um dos adversários do time.
Laudos
Paulista contou ao Mantiqueira que a equipe da Secretaria está correndo atrás para corrigir alguns erros nos laudos do estádio para fazer o envio à Federação Mineira de Futebol. “Temos um bom prazo para resolver as pendências e vamos conseguir liberar o estádio a tempo do primeiro jogo da Caldense em sua casa, dia 5 de fevereiro, contra o Villa Nova. Teremos um estádio em ótimas condições técnicas para ser usado pela Caldense e em boas condições de segurança para o torcedor que for prestigiar a Veterana”, finalizou Paulista.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

Caldense treina forte para o Estadual e terá aumento em cota de televisão

Poços de Caldas, MG - Os jogadores da Caldense seguem treinando forte para a estreia no Campeonato Mineiro, dia 29, em Patos de Minas, contra a URT. O time comandado pelo técnico Thiago Oliveira realiza um treino técnico na tarde de hoje no Ninho dos Periquitos. A diretoria tenta a marcação de um terceiro jogo-treino para os próximos dias. Até o momento a Veterana tem como adversários confirmados na pré-temporada o Ituano, em Itú, dia 14 e, dia 21, o São Caetano em Águas de Lindóia.

Televisão

A TV Globo, dona dos direitos de transmissão do Campeonato Mineiro, aumentou a cota de televisão para a atual temporada. A Caldense deverá receber uma quantia em torno de R$ 850 mil, valor pago a todos os times do interior que disputarão a competição. Atlético e Cruzeiro deverão embolsar cerca de R$ 12 milhões e o América R$ 2,8 milhões.

Corinthians

Segue indefinido o local da partida do próximo dia 8 de fevereiro entre Caldense e Corinthians pela Copa do Brasil. A diretoria não se manifesta mais sobre o assunto e o que se sabe é que o mando de jogo está sendo negociado. Nos próximos dias o mistério será desvendado com o anúncio oficial da Confederação Brasileira de Futebol.

sábado, 31 de dezembro de 2016

Secretaria de Esportes fecha ano comemorando sucesso nos projetos da Lei de Incentivo

Poços de Caldas, MG - Termina o ano e a Secretaria de Esportes comemora mais uma temporada de muitas realizações e eventos com apoio na Lei de Incentivo ao Esporte. Foram ações esportivas e físicas que atenderam toda população de Poços de Caldas em todas as faixas etárias. “A Lei de Incentivo traz atividades que não diferenciam crianças de idosos. São opções para todos e em toda a cidade. Sempre tem uma academia, um projeto, um professor dedicado, enfim, sempre tem o que se fazer para ter uma vida menos sedentária”, disse Andréa Martins, do setor de projetos da Secretaria de Esportes.
Em 2016 foram realizados cerca de 111 projetos esportivos diferentes, em diversos ginásios e quadras poliesportivas. A pista de atletismo, piscinas da cidade e outras praças esportivas atenderam cerca de 5.300 alunos por semana, sendo que todos tiveram atividades em média duas vezes por semana.


Os projetos

Os projetos realizados na cidade são divididos em três etapas. A primeira é o Programa de Atividades da Secretaria Municipal de Esportes e Lazer. Esta etapa conta com professores de educação física que fazem parte do quadro de funcionários da prefeitura. Nesta etapa são realizadas aulas de iniciação esportiva e treinamento de equipes para participação em competições oficiais, representando o município nas modalidades de atletismo, balé, futsal, judô, voleibol masculino e feminino, basquetebol (parceria com a Caldense) e natação (parceria com Sesc e Coopoços).
Nesta etapa foram atendidas 1.500 pessoas por semana, que tiveram atividades físicas para adultos e idosos, que tiveram aulas de hidroginástica, academia ao ar livre, ginástica localizada e yoga.      

Viva o Esporte

A segunda etapa são os projetos do programa Viva o Esporte, que tem convênio com a Liga Poços-caldense de Futebol . Esta etapa desenvolve as modalidades de futsal, futebol de campo, ginástica rítmica, handebol, natação e aulas nas academias ao ar livre. Nesta etapa foram realizadas 24 ações diferentes e quase toda a cidade e cerca de mil alunos foram atendidos semanalmente.


Lei Municipal

A terceira etapa são os projetos da Lei Municipal de Incentivo ao Esportes. A Lei nº 8.624/09 determina a utilização de 1% da receita proveniente do Imposto sobre serviços de qualquer natureza (ISSQN). Os projetos executados através da Lei de Incentivo são selecionados conforme edital de apresentação de projetos e analisados documentalmente e tecnicamente pela Comissão Municipal de Incentivo ao Esporte.  “Neste ano de 2016 tivemos 37 projetos inscritos, sendo 28 aprovados e 23 projetos captados, tendo investido o valor de R$ 334.937,79, atendendo 1.800 alunos. Os projetos atendem desde crianças até idosos, promovendo o esporte e atividades físicas e de lazer em todo o município, além de incentivar projetos esportivos de atletas amadores que disputam competições oficiais em todo o Brasil e no exterior”, disse Andréia Martins.

Os eventos são realizados mediante parceirias importantes com a Climepe Total, Unimed, DC Turismo, S.I.H Poços de Caldas, W.M. Turismo Ltda, Carlton Vilage Hotelaria e Eventos SPE Ltda, Hotel Minas Gerais, Instituto Donato Oftalmologia, Gran Japan Veículos e Peças Ltda, Work Team Eletron E. Indústria Ltda, Construtora Etapa Ltda, Unicentro Fer e Usinagem Ind. Ltda.
A Secretaria Municipal de Esportes e Lazer informa que toda e qualquer empresa que paga este Imposto pode se transformar em “empresa incentivadora” auxiliar na execução de vários projetos que atendem a população com diversas atividades esportivas e físicas. Para que o projeto seja incentivado, o mesmo deve seguir todas as orientações do Edital de apresentação de projetos esportivos, publicado no segundo semestre/ano, para ser execução no ano seguinte.
   Para o ano de 2017, os projetos já foram protocolados e analisados pela Comissão e os resultados foram publicados esta semana pelo diário oficial.


Projetos com Patrocínio Direto do Grupo DME
      O Grupo DME, há alguns anos, patrocina diretamente projetos esportivos, promovendo a fomentação do esporte no município, procurando beneficiar a população.
      Neste ano de 2016, foram patrocinados 32 projetos esportivos e de atividades física, totalizando R$ 388.000,00 de patrocínio direto, atendendo cerca de 1.000 alunos por semana.
      Os projetos são apresentados conforme Edital de Regulamento e analisados pela Comissão de Análise Técnica (CAT).
      Para o ano de 2017, os projetos também já foram protocolados e analisados e os resultados foram publicados pelo Grupo DME no diário oficial
“Para o ano de 2017, com a nova administração, pretendemos dar continuidade aos projetos já desenvolvidos, atendendo a população de Poços de Caldas com profissionalismo, visando à melhora da qualidade de vida das pessoas, oferecer atividades para todos e implementar ações novas”, finalizou Andréa Martins.

André Luiz: “No rádio, um lance simples pode ficar muito emocionante”

RENAN MUNIZ


Poços de Caldas, MG - André Luiz é o dono da famosa voz que leva a emoção dos jogos da Caldense aos torcedores do clube. Nascido em Mogi-Mirim, começou no rádio em 1980, de maneira despretensiosa. A equipe local havia desativado o departamento de futebol em 1972 e com isso a rádio da cidade não tinha mais jogos para transmitir. O período de inatividade foi encerrado justamente em 1980 e André foi convidado para assumir a locução da rádio, que também voltava a fazer transmissões. Começava ali a longa carreira de um dos mais renomados narradores esportivos do interior do Brasil.

Como foi sua chegada a Poços de Caldas?
Trabalhei na Bandeirantes, na CBN e em outras grandes emissoras. Na época éramos três locutores e nos revezámos nas transmissões. Em um determinado final de semana, eu estava de folga e resolvi vir a Poços para fazer um freelance por intermédio do Ailton Fonseca. Gostei da cidade e resolvi me mudar em 1995, foi uma questão de opção. Mas o primeiro jogo que narrei da Caldense foi em 1993, na abertura do Mineiro contra o Trespontano, em Três Pontas, onde a veterana venceu por 1 a 0 com gol de Fogueirinha.

Como é sua preparação para os jogos?
Quando chego ao estádio, aos poucos vou entrando no clima da jornada esportiva. Confesso que até eu ser acionado para falar pela primeira vez, fico com um friozinho na barriga, mas a partir do momento que solto a voz, a coisa flui com naturalidade e me transformo quase que em um personagem.

Quais cuidados você toma para aguentar falar durante toda a jornada sem ter falhas na voz?
Eu fiz fonoaudiologia por algum tempo e aprendi a preparar a corda vocal para não ter incômodos e poder colocar a voz de maneira confortável durante toda a transmissão. No dia do jogo não tomo nada gelado, pra poder trabalhar sem qualquer tipo de problema, porque quem depende da voz, se tiver um calo, por exemplo, às vezes tem até que encerrar a carreira.

Quais são as maiores dificuldades que você enfrenta durante uma partida?
Depende muito da localização da cabine no estádio. Às vezes não se tem um ângulo de visão panorâmico. Eu costumo transmitir o jogo sentado. Por vezes, a torcida levanta e tenho que me levantar também, para ver o que está acontecendo. O narrador simplesmente relata o que está acontecendo na partida, para quem está ouvindo saber aonde está a bola, quem está com a bola e como o jogo se desenvolve. Devemos passar toda a realidade dos fatos para os ouvintes, sem distorções.

Por que a narração de rádio é mais emocionante do que a da TV?
Porque ela mexe com a imaginação do ouvinte, diferentemente da TV. Na TV você vê tudo e a narração é só um complemento. No rádio a narração é tudo. Dependendo da entonação, um lance simples pode ficar muito emocionante, em determinados momentos existe um suspense para saber o que vai acontecer, pois o ouvinte não está vendo e o locutor cria certa expectativa. Não se pode parar de falar, é diferente da televisão. Na TV eles podem parar a imagem, colocar publicidade, pois você continua vendo a imagem e sabe o que está acontecendo. No rádio não, se o narrador para de falar fica um buraco no ar e ninguém sabe o que está acontecendo e o ouvinte vai achar que a estação saiu do ar.

O trabalho do narrador é muito importante, pois é um documento de como foi a partida. Principalmente nos jogos que não foram filmados, tudo fica registrado na sua voz. O que representa para você produzir esse tipo de material?
Se eu te disser você não vai acreditar. Eu não tenho uma fita, um CD, não tem um material meu. Nunca me preocupei com isso, vejo com tamanha naturalidade, talvez diferentemente de outros companheiros de imprensa. Se você me pedir a gravação de um jogo, eu não tenho. Transmito o jogo, vou embora pra casa, ouço outras rádios, mas não tenho o costume de arquivar material. Se existir alguma coisa minha registrada, é só nas emissoras onde trabalhei.

Quais foram os momentos mais emocionantes que você já narrou da Caldense?
Além do título de 2002, me lembro de um jogo em Patos de Minas onde a Caldense precisava ganhar do Mamoré e saiu perdendo por 1 a 0. Virou para 2 a 1 e o segundo gol, que foi do Vagninho, saiu aos 46 do segundo tempo. Se a Veterana empatasse estaria eliminada da competição, mas ele, praticamente do meio campo, por cobertura, encobriu o goleiro e deu a classificação para a Veterana. Recordo também da partida contra a URT em 2002, um jogo muito difícil, arbitragem polêmica, estava 1 a 1 e a Caldense precisava vencer pra não depender do resultado do Ipatinga. Nos acréscimos, o Gilberto bateu um tiro de meta e a bola sobrou para o Joílson, que driblou o goleiro, chutou e a bola caprichosamente bateu na trave e entrou, foi muito emocionante.

Ao longo da sua carreira, qual transmissão foi marcante para você?
Tive a oportunidade de transmitir a final da Copa União entre Flamengo e Internacional no Maracanã com 127 mil pagantes. Fiquei no meio da torcida, pois não havia cabine para todo mundo. Choveu e parte dos torcedores que estavam na parte descoberta da arquibancada, subiu para a parte coberta. A nossa equipe ficou toda espremida, mas mesmo assim conseguimos fazer a transmissão.

Você é um profissional que sempre fala o que pensa. Em algum momento tem receio de dizer algo e incomodar alguém?
Nunca tive, sou muito contestador e às vezes acho até que exagero. Acabo falando o que penso e tenho um compromisso muito grande com a minha consciência, não tenho medo de errar, se erro, sou humilde de reconhecer e corrigir, mas não me preocupo em agradar ou desagradar quem quer que seja. Eu falo o que sinto e o que penso.

O que precisa ser mudado no Ronaldão para a imprensa ter melhores condições de trabalho?
Tudo. O Ronaldo Junqueira é um estádio totalmente ultrapassado, não é só pra imprensa não, é pra torcida também. Estacionamento, banheiro, tudo precisa ser refeito. Quando foi construído, era um estádio moderno, mas hoje já estamos na época das arenas. No meu modo de entender o estádio municipal é um patrimônio da cidade, um ponto turístico. Quem gosta de futebol e viaja para outras cidades, quer conhecer o estádio local e hoje não se tem motivo para alguém querer visitar o Ronaldão. Pra falar a verdade, acho o estádio deveria ser jogado no chão e no lugar construir outro.

O que a Caldense significa pra você?
A Caldense hoje é tudo. Quando a Caldense vai bem, beneficia o trabalho de todos da imprensa e quando vai mal a gente também vai mal. Quando a gente critica, é com dor no coração, mas a gente fala para que as coisas possam mudar para melhor. Não fazemos criticas destrutivas e nem pessoais. Queremos ver a Caldense no topo como outras equipes que sempre estão surgindo no cenário do futebol brasileiro.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

Projeto Ideia Fixa comemora 15 anos com muitas histórias e conquistas

Poços de Caldas, MG - Neste mês, mais precisamente dia 17,  o Projeto Ideia Fixa por um sertão 100 fome completou 15 anos de criação. Marcado por crescente sucesso, chega a esta data com muitas histórias para contar e números que superam as expectativas. Com o objetivo de ajudar principalmente crianças carentes, durante as provas de Rally pelo Brasil, o projeto já beneficiou mais de 139 mil pessoas em 16 Estados brasileiros por meio de atividades lúdicas, educativas e doações, que somam 208 toneladas. A iniciativa ainda é responsável pela distribuição de 160 mil livros novos e usados.
Tudo começou com uma promessa da jornalista Tânia Mara, que após escrever seu primeiro livro, chamado “Cêis é rali, é?”, decidiu trocar exemplares por cestas básicas e levá-las para comunidades sertanejas, conhecidas anteriormente, quando trabalhava como assessora de comunicação de pilotos e equipes de Rally.
O sonho em ajudar inicialmente os sertanejos que encontrava pelo caminho acabou tornando-se um projeto de vida e ajudou a transformar a vida de muita gente.
Com muita perseverança, dedicação, desprendimento, garra e muita coragem, ela fez com que o Projeto Ideia Fixa se posicionasse como um dos mais antigos e contínuos trabalhos sociais dentro das provas de rali no Brasil.

Retrospectiva 2016

Todos os anos o trabalho do projeto é avaliado e é feito um balanço do que foi realizado. Porém, em meio a problemas políticos e o país passando por uma grave crise econômica, é claro que isto acabaria impactando diretamente à sociedade e o terceiro setor também.

Porém, segundo Tânia Mara , as metas foram alcançadas com adaptações às condições atuais. “Mesmo em meio a dificuldades financeiras, deixamos muitas sementes pelo caminho. Vivenciamos a alegria com que as crianças e os profissionais das escolas nos receberam. Eles se sentiram valorizados com a nossa presença e nós vivemos vários momentos emocionantes. Fomos homenageados com a apresentação de orquestras, corais e danças regionais. Muitos enfeitaram as escolas com faixas e cartazes, alusivos à nossa visita. A emoção brotou e não tivemos como segurar”, diz Tânia Mara.

Cidades que receberam a visita do Ideia Fixa neste ano: Poços de Caldas, São Manuel, Barretos, Botucatu, Itu e Ilha Comprida, no estado de São Paulo, Goiânia, Padre Bernardo, Posse e o distrito de Domiciliano Ribeiro, no Estado de Goiás, Luís Eduardo Magalhães, na Bahia, Novo Jardim, Almas e Palmas no Tocantins.

Por volta de 2 mil crianças tiveram a oportunidade de conhecer as histórias da Turma do Tupício, através do teatrinho de fantoches, interagiram com a Gata Tata, brincaram com a personagem Bolinda e aproveitaram para vivenciar momentos lúdicos e repletos de surpresas e alegrias.

Além das atividades desenvolvidas nestes encontros, as crianças receberam os kits “Sorria para o Rally”, contendo creme dental e escova, giz de cera e folhas de atividade para colorir. Além do kit “Ideia Bela” recheado com produtos de higiene e beleza, que beneficiaram também as famílias, e ainda o kit “Ideia Fixa pela Educação e Cultura”, composto por três livros de histórias infantis e personagem em EVA, tudo acondicionado em uma pasta plástica ou sacola social do Instituto Duda & Adelina. E vale destacar que o Projeto Ideia Fixa alimentou as Mini Bibliotecas do Rotary Clube de Poços de Caldas com a doação de livros, que somaram 2.500 unidades, só em 2016.

“Se me perguntarem o que eu espero para os próximos 15 anos, eu digo: farei tudo da mesma forma, ou seja, estarei celebrando a vida, sonhando com dias melhores, porém, tendo a certeza que para se realizar algo, é preciso agir. Por isto, celebro estes 15 anos de muita superação, agradecendo a todos que fazem parte desta grande conquista. Foram muitas experiências vividas, muito aprendizado e, acima de tudo, muito respeito ao próximo, marca registrada desta Ideia Fixa”, finaliza.

Professor Pelezinho: 18 anos de dedicação ao ensinamento do futebol

Poços de Caldas, MG - Nesta última entrevista especial do ano, o Mantiqueira conversa com o professor Fernando Henrique dos Santos, conhecido como Pelezinho. Bacharel em Educação Física, com vários cursos de futebol, ele é um dos principais formadores de talentos da cidade. Pelezinho tem contatos em grandes clubes do futebol brasileiro e assim manda meninos o tempo todo para testes e avaliações. Aos 38 anos, casado há 12 anos com Alexsandra De Aro e pai da Maria Fernanda, Pelezinho destaca o amor da família para se inspirar na profissão. Aliás, foi devido ao amor pela esposa que ele se firmou em Poços de Caldas. Natural de Campestre e com trabalho de destaque em Águas da Prata, foi em Poços que ele conseguiu se firmar e fazer da escolinha da Sociedade Esportiva Curimbaba uma das principais da cidade. “Meu sonho era trabalhar com futebol, seja o que fosse. Queria ser jogador, não consegui, mas estou muito feliz em poder ajudar os jovens sobre a importância do esporte na vida deles. Assim sou feliz. Meu trabalho é de preparar o menino. Ele tem que saber vencer, saber perder, pois a vida tem vários momentos e é preciso saber lidar com todos”, falou Pelezinho, que além de professor da Curimbaba, trabalha no Sesc e no projeto Viva o Esporte. Confira entrevista completa.


Mantiqueira - Quando e onde começou seu trabalho com garotos?
Pelezinho - Comecei em Águas da Prata com o Luiz Carlos Galter. Para quem não se lembra, o Galter foi zagueiro do Corinthians e fez muita história no futebol. Tive o privilégio de começar com ele numa escolinha de futebol. Quando ele me convidou não pensei duas vezes, pois sempre tive muita ligação com o futebol, sonhava como todos sonham um dia em ser jogador de futebol, mas acabei indo mesmo para o lado de ensinar os jovens. Foi este trabalho que mostrou que meu caminho seria o de professor e ensinar para os meninos o lado bom que o esporte pode ter na vida de cada um.

Mantiqueira - Durou quanto esta parceria com o Galter?
Pelezinho - Ele acabou tendo alguns problemas particulares que o afastaram das atividades na escolinha. Foi aí que me veio a oportunidade de assumir o projeto sozinho. O ano era de 1998 e eu, ainda bem jovem, começava a comandar os garotos em Águas da Prata em competições e conseguimos bons resultados. Em 2000 assumi a diretoria de esportes de Águas da Prata e ali comecei a desenvolver um trabalho mais abrangente que tinha futsal em várias categorias, além de outras modalidades. Comecei a andar mais pelo Estado de São Paulo, tendo contato com as Secretarias de Esportes das cidades paulistas, fazendo amizades importantes e o trabalho foi ganhando uma dimensão muito  interessante.

Mantiqueira - É verdade que o amor mudou seu destino e o trouxe para Poços de Caldas?
Pelezinho - Exatamente isto. Conheci minha esposa em Poços de Caldas e em 2004 nos casamos. Abandonei tudo que tinha construído até então em nome do amor e me mudei para Poços para começar do zero. Os primeiros anos foram muito difíceis e tive que correr atrás de espaço. Ninguém me conhecia, ninguém sabia quem era aquele jovem que tinha o apelido de Pelezinho. Na época o esporte aqui era muito fechado e com isto as dificuldades pareciam não acabar.

Mantiqueira - Como você conseguiu reverter esta situação?
Pelezinho - Foi graças ao Antônio Carlos Pereira, quando ele foi secretário de Esportes as portas se abriram para mim. Ele me convidou para fazer parte do projeto Viva o Esporte e aí começou minha vida esportiva aqui. Comecei a fazer trabalhos com as equipes de futsal do Marco Divisório, a participar dos campeonatos amadores da cidade, fui trabalhar com o Luizão no Guarani. Tudo começou a se abrir novamente. Novos amigos foram sendo feitos e fui conseguindo reconstruir minha história no esporte de Poços de Caldas.

Mantiqueira - Quando começou seu trabalho nas escolinhas de Poços de Caldas?
Pelezinho - Foi na escolinha Brasil Society, que tinha o Marcelinho Albino como professor, porém, ele acabou saindo e fui convidado para assumir seu lugar. Logo em seguida, recebi um convite para trabalhar na escolinha da Mitsui. O trabalho lá era feito pelo “Pelado”, mas ele estava saindo e meu nome acabou sendo vinculado para o seu lugar. Aceitei o convite e fiquei nas duas escolinhas por um período. Mas o trabalho na Mitsui foi crescendo muito e tive que deixar o Brasil Society. Mas antes ainda ajudei a formar a escolinha do Vulcão e tive a chance de ser treinador das seleções de Poços de Caldas em várias competições estaduais. Agradeço muito ao Antônio Carlos Pereira pela porta aberta e ainda aos demais secretários que sempre me deram carta branca. Lelo e Mareca também sempre foram grandes parceiros. O Lelo é uma pessoa por quem tenho um carinho muito especial, pois me deu muita força e nunca vou esquecer nada que ele fez.

Mantiqueira - A escolinha da Curimbaba conseguiu um grande respeito graças a seu trabalho. Como você vê isto?
Pelezinho - Graças a Deus conseguimos realmente um respeito importante, mas temos toda uma equipe por trás. Tempos projetos importantes, queremos crescer mais, levar o nome da escolinha a nível nacional e tentar revelar muitos talentos para nosso futebol.

Mantiqueira - É mais fácil formar uma escolinha hoje ou antigamente era melhor?
Pelezinho - Formar uma escolinha hoje é muito difícil. Antes o menino só tinha o futebol como opção, pelo menos como a primeira opção. Hoje a concorrência é grande é o menino tem o celular, já tem a namoradinha, shopping, além de muitas opções em outras modalidades. Tirar o menino às duas horas da tarde para levá-lo ao treino com sol ou chuva não é fácil. Professores como o Paulista, Rubão, Neco, Erick, Nogueira, Lolí, entre outros, conseguem um feito importante em trabalhar com meninos nos tempos de hoje. Não é fácil, seja a escolinha para meninos carentes ou não, é difícil manter o interesse dos garotos. Eles preferem o computador, o shopping, do que tentar a sorte no futebol. Aí aparece a importância dos pais mostrarem para seus filhos que o esporte é o caminho para uma vida melhor, longe das drogas e outras coisas ruins da vida.  

Mantiqueira - Como você consegue ter tantos contatos importantes em grandes clubes do futebol brasileiro?
Pelezinho - Tudo começou em 1999 quando trabalhava com o Luiz Carlos Galter. Ele tinha livre acesso no São Paulo Futebol Clube, no Corinthians e consegui aproveitar esta carona. Ele abriu as portas do São Paulo pra mim e foi o primeiro clube que conseguir tem um bom relacionamento. Consegui aproveitar a oportunidade e hoje tenho livre acesso a quase todos os grandes clubes do futebol brasileiro. São Paulo, Corinthians, Palmeiras, Santos, Cruzeiro, Atlético Mineiro, Red Bull Brasil, Desportivo Brasil, entre outros. Existem muitos profissionais que fazem o mesmo trabalho que realizo, porém, poucos conseguem se  firmar. Sinto-me honrado em permanecer tanto tempo levando os meninos de nossa cidade para serem avaliados e assim dando a eles a chances de realizar o sonho em se tornarem jogadores profissionais um dia. Deixo claro que estes contatos vieram e se mantiveram graças a muita honestidade, transparência e visando ao bem de todos. Assim, conseguir uma relação sólida a ponto de poder indicar qualquer menino para qualquer destes clubes e que eles vão confiar na minha palavra e analisar o garoto com muito carinho.

Mantiqueira - Já que você tem tantos contatos importantes, nunca pensou em deixar Poços e trabalhar nestes clubes?
Pelezinho - Já recebi convites sim. O São Paulo já me chamou para acompanhar as suas equipes de base, recentemente o Santos também me convidou para o mesmo trabalho. Desportivo Brasil e Red Bull também abriram as portas, mas confesso que ainda não tive um tempo para pensar direito e nem mesmo estou com muita pressa em resolver isto. Não vivo só do futebol, sou funcionário também do Sesc de Poços de Caldas e ele toma quase todo o meu tempo, mas não sei se é hora de deixar a cidade e investir em um novo trabalho.

Mantiqueira - Existem alguns meninos indicados por você em times de fora de Poços?
Pelezinho - Sim. O Wender é um garoto da cidade que está se destacando no Atlético Mineiro. O Cruzeiro está monitorando 10 meninos. Eles vão a Belo Horizonte a cada três meses. Dois atletas revelados por mim estão jogando no Red Bull. Temos o Carlinhos e o Tharsus que estão treinando como Thiago Oliveira na Caldense. Seis meninos estão sendo monitorados pelo Santos, sendo que um deles deverá ficar alojado no início de 2017 com boas possibilidades de seguir no time paulista. O Corinthians também está monitorando alguns meninos e em março o São Paulo receberá alguns jogadores.

Mantiqueira - Como funciona este processo de seleção?
Pelezinho - Quanto mais cedo o menino for avaliado, mais chances ele terá se continuar fazendo os testes. A concorrência é muito grande e se o menino demora para entrar num clube dificilmente ele terá a mesma chance mais tarde.

Mantiqueira - Qual a importância dos parceiros que você conquistou ao longo de sua vida e quanto isto ajuda a revelar meninos em Poços de Caldas?
Pelezinho - Não sou sozinho neste trabalho. Se não fosse a equipe que temos, os amigos que fiz na vida, não teria conseguido nada. Tenho o espaço nos clubes, mas dependo de todas as escolinhas que me ajudam a selecionar meninos. Nem sempre os melhores jogadores estão comigo e por isto vem a parceria das escolinhas. Agradeço a todos os professores de Poços que confiam em mim, me dão liberdade para levar os meninos e se não fosse assim não teria tanto sucesso no que faço. Quero ainda ressaltar a importância da comissão técnica que trabalha comigo na Curimbaba. Uma equipe muito especial a começar pelo professor Adauto, que está comigo há dez anos. É um cara que fica na beira do campo, briga com a arbitragem, mas que esfola o joelho ao tentar ensinar um menino como se chuta uma bola, mostra como se faz um passe, como se bate na bola, ou seja, me ajuda muito. Ele não tem um estudo aprofundado no futebol, mas toda a sua vivência é muito importante para a escolinha e é uma figura fundamental no trabalho da Curimbaba. Temos ainda o Moura, ex-jogador profissional, que faz um trabalho muito bom individualmente com os meninos. O Marcelo iniciou agora um projeto muito bonito com os goleiros da escolinha. Ele tem feito um trabalho diferenciado e que vai agregar muito para a escolinha e para todo o sul de Minas. Tem ainda a parceria com alguns meninos que estão se formando e trabalhando comigo, caso do Fernando, Pedro, Dionísio, enfim, todos ex-atletas que estão tentando seguir no esporte de uma ou outra maneira.

Mantiqueira - Que balanço você faz de 2016?
Pelezinho - Foi um ano difícil para todos os brasileiros, seja em qual atividade eles atuem. No esporte não foi diferente. Mesmo assim conseguimos atingir nossas metas, participar de várias competições, algumas conseguimos um bom destaque. A escolinha da Curimbaba está numa crescente muito boa e acredito que 2017 será muito bom. Já neste início de ano vamos disputar a Copa Internacional e queremos começar com o pé direito. Esperamos um 2017 muito positivo para todo o esporte de Poços de Caldas. É um ano de mudanças e espero que isto possa influenciar a todos de maneira positiva.

Mantiqueira - Quando o menino chega para você e diz que quer ser um jogador de futebol, qual a resposta?
Pelezinho - Todo menino que chega numa escolinha tem dois pontos importantes. O primeiro é porque ele gosta de jogar futebol, o segundo é porque ele sonha em ser um jogador de futebol, um atleta profissional, em ser um Neymar. Na fase inicial do trabalho o foco principal não é o futebol. Ele tem que saber que antes de ser um atleta é uma criança e precisa aprender a correr, a cair, se movimentar. Só depois vai aprender os princípios técnicos do futebol. Tem ainda a questão do bom cidadão, que vem acima de qualquer coisa e tentamos passar isto para todos. Tem ainda a questão da vocação. Às vezes o menino gosta de futebol, o pai quer que ele seja jogador de futebol, mas ele não leva jeito. Quando o menino chega fazemos uma triagem, só depois vamos trabalhar com a iniciação.