Poços de Caldas, MG – Convidado especial do Desafio de Goleiros, o ex-goleiro Aranha também falou sobre um tema que passou a fazer parte de sua atuação após encerrar a carreira nos gramados: o combate ao racismo no futebol. Integrante de uma comissão da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) voltada ao enfrentamento do racismo e da violência no esporte, ele defendeu ações permanentes de conscientização e afirmou que a transformação passa por mudanças culturais dentro e fora dos estádios.
Segundo Aranha, o racismo precisa ser tratado com a mesma seriedade dispensada a qualquer outro problema que ameaça a sociedade. “Como toda doença, se você não trata, não cuida e não investiga, ela só evolui. O racismo também mata. É uma questão muito séria e que muitas vezes as pessoas não percebem.”
O ex-goleiro elogiou a iniciativa da CBF de manter uma comissão dedicada ao enfrentamento da discriminação e da violência no futebol, destacando que o trabalho desenvolvido nos últimos anos tem contribuído para melhorar o ambiente esportivo. “A CBF está de parabéns por criar essa comissão. Há alguns anos ela vem desenvolvendo esse trabalho contra o racismo e também contra a violência no futebol.”
Aranha lembrou que, durante muito tempo, frequentar um estádio significava conviver com episódios constantes de violência.
Para ele, esse cenário vem mudando gradativamente, mas ainda há um longo caminho pela frente. “Vivíamos praticamente um ambiente de guerra. Hoje isso tem melhorado ano após ano. Espero que, em breve, os estádios sejam espaços onde as famílias possam levar seus filhos para assistir a um jogo e voltar para casa sem que as crianças aprendam novos xingamentos ou formas de discriminação.”
Ao comentar os frequentes casos de racismo registrados em competições internacionais, especialmente envolvendo clubes brasileiros, Aranha ressaltou que o problema não está restrito ao exterior.
Segundo ele, o preconceito também faz parte da realidade brasileira. “O racismo existe praticamente em todos os lugares. Em alguns países ou ambientes, as pessoas se sentem mais confortáveis para demonstrar esse ódio; em outros, menos. O Brasil está longe de estar livre desse problema, até pela própria formação histórica do nosso país.”
Para o ex-goleiro, a única forma de enfrentar o preconceito é tornando cada vez mais difícil que atitudes discriminatórias sejam aceitas socialmente. “Precisamos deixar desconfortáveis aqueles que insistem em levar o ódio para o futebol. Não existe outro caminho além do combate permanente.”
Aranha também defendeu que a construção de leis mais rígidas depende de uma mudança cultural ampla na sociedade.
Na avaliação dele, não basta apenas endurecer a legislação se parte das pessoas responsáveis por aplicá-la ainda reproduz comportamentos discriminatórios. “É difícil criar leis mais duras quando, muitas vezes, quem deveria aplicá-las também pratica esse tipo de discriminação. Precisamos transformar a cultura da sociedade para que as futuras gerações, inclusive dentro do Judiciário, tenham disposição para fortalecer esse enfrentamento.”
Além do trabalho desenvolvido junto à CBF, Aranha tem percorrido o país realizando palestras, participando de projetos educacionais e utilizando sua trajetória no futebol para promover debates sobre igualdade, respeito e cidadania, reforçando que o esporte deve ser um ambiente de inclusão e convivência saudável para todos.
Nenhum comentário:
Postar um comentário