sábado, 17 de outubro de 2026

Equipe Everflow Combat conquista resultados expressivos no Brasileiro de Kung Fu

Poços de Caldas, MG – A Academia Everflow Combat, de Poços de Caldas, participou, no último domingo (11), de um Campeonato Brasileiro de Kung Fu realizado em São Paulo. Sob a orientação dos professores Vitor Gabriel de Oliveira Rodrigues e Lucas, a equipe levou três atletas à competição, conquistando resultados importantes, entre eles o tricampeonato brasileiro de Yan, de 18 anos.

A participação foi marcada por desafios dentro e fora das áreas de luta. Além do nível técnico dos adversários, os representantes de Poços de Caldas precisaram superar o desgaste de uma longa viagem, a ansiedade e a pressão característica de uma competição nacional.

Segundo o professor Vitor Gabriel, a delegação deixou Poços de Caldas por volta das 3h da madrugada e chegou ao local do campeonato aproximadamente às 8h50. Apesar do cansaço, os atletas demonstraram determinação para enfrentar os desafios. “Foi uma viagem cansativa, exaustiva, mas conseguimos chegar. Quando meus alunos entraram no local e viram a estrutura do campeonato, com muitos atletas e uma organização muito grande, ficaram nervosos e ansiosos. Mas isso faz parte da competição e da luta”, relatou.

Dos três representantes da academia, dois participaram pela primeira vez de um Campeonato Brasileiro de Kung Fu, enquanto o terceiro já acumulava experiência em competições nacionais.

O primeiro atleta da equipe a entrar em ação foi Rian Bob, que enfrentou um dos maiores desafios de sua trajetória esportiva: controlar a ansiedade durante a competição.

De acordo com Vitor Gabriel, o jovem já havia enfrentado dificuldades em campeonatos anteriores devido ao nervosismo, que acabava prejudicando seu desempenho.

Desta vez, porém, a reação foi diferente. Mesmo diante da pressão, Rian conseguiu desenvolver sua luta e demonstrar evolução técnica e emocional. “Ele começou a lutar nervoso, mas eu vi a evolução dele durante o combate. Vi que estava entregando o máximo. Infelizmente, não conseguiu vencer e ficou em segundo lugar, mas não recuou e não teve medo”, destacou o professor.

Para Vitor, o resultado vai além da medalha conquistada. O principal avanço foi a capacidade do atleta de enfrentar uma situação que anteriormente comprometia seu rendimento. “Ele teve problemas com campeonatos porque sentia muita ansiedade, e isso travava seu desempenho. Mas, no domingo, não deixou a ansiedade dominá-lo”, afirmou.

Outra representante da Everflow Combat foi Júlia, que também chamou a atenção da comissão técnica pela determinação demonstrada durante sua participação.

Segundo o treinador, a atleta enfrentou uma adversária mais pesada e experiente, situação que exigiu esforço físico, coragem e capacidade de adaptação.

Embora não tenha conseguido vencer o combate, Júlia alcançou a classificação mencionada pelo professor e recebeu elogios pela postura apresentada. “A Júlia teve um destaque muito positivo porque lutou contra uma adversária muito mais pesada e experiente. Mesmo assim, não recuou. Foi para cima e mostrou uma evolução muito grande”, relatou Vitor Gabriel.

O professor ressaltou que a experiência adquirida em competições desse nível contribui para o amadurecimento dos atletas, especialmente daqueles que estão começando a construir sua trajetória nas artes marciais.

O principal resultado da equipe veio com Yan, de 18 anos, que venceu duas lutas e conquistou, segundo seu treinador, o terceiro título brasileiro de Kung Fu.

A conquista chama a atenção pelo tempo relativamente curto de treinamento do atleta na modalidade. De acordo com Vitor Gabriel, Yan começou a praticar Kung Fu há aproximadamente um ano e meio, depois de ter experiência com a capoeira.

A transição entre as duas artes marciais exigiu adaptação, principalmente pelas diferenças técnicas e pelos movimentos característicos de cada modalidade. “Quando comecei a ensinar Kung Fu para ele, percebi que tinha certa dificuldade, porque vinha da capoeira. Era uma arte marcial diferente. Mas, com os treinamentos, conseguiu evoluir de uma forma muito rápida”, explicou.

A trajetória competitiva começou em 2025, quando Yan disputou a Copa São Paulo e conquistou o segundo lugar.

Ainda naquele ano, participou de dois campeonatos brasileiros, nos quais, segundo o professor, também conquistou títulos.

Em 2026, o atleta manteve a sequência de resultados ao vencer um campeonato regional e, posteriormente, conquistar mais um título nacional. “Ele está treinando comigo há apenas um ano e meio e conseguiu um resultado muito grande. É uma conquista difícil, mas ele mostrou que, com dedicação, é possível superar os próprios limites”, afirmou Vitor Gabriel.

Um dos momentos mais marcantes da competição aconteceu antes da segunda luta de Yan. Segundo o treinador, o atleta demonstrava nervosismo e insegurança, especialmente pela importância do resultado para suas pretensões de disputar uma competição mundial.

Diante da situação, Vitor Gabriel e o professor Lucas conversaram com o jovem, buscando transmitir confiança e tranquilidade.

O treinador contou que procurou mostrar ao atleta que as dificuldades enfrentadas nas competições também podem servir como aprendizado para outras situações da vida. “Eu disse a ele que as coisas nem sempre serão fáceis, que as dúvidas e as incertezas vão aparecer, mas que não podemos deixar isso nos dominar. Ele acabou de completar 18 anos e ainda tem muita coisa pela frente”, relatou.

Vitor também destacou que o aprendizado adquirido no esporte pode acompanhar o jovem mesmo que, futuramente, ele escolha seguir outra profissão. “Falei que talvez, daqui a alguns anos, ele nem siga a carreira de lutador, mas que precisa levar esses momentos para a vida. Quando pensar em desistir de alguma coisa, vai se lembrar desse dia, em que enfrentou suas dificuldades e venceu”, acrescentou.

Após a conversa, Yan entrou para o combate decisivo e conquistou a vitória. O resultado foi acompanhado de uma forte reação emocional. Depois de receber a premiação, o atleta chorou e comemorou a conquista com os professores. “Ele entrou naquele ringue e se transformou. Ganhou a luta, foi aplaudido e, quando recebeu a medalha, chorou bastante. Ficou muito feliz e prometeu se dedicar ainda mais”, contou Vitor.


Disciplina e humildade fazem parte da formação

Apesar dos resultados conquistados, o professor Vitor Gabriel destacou que a filosofia de trabalho da Academia Everflow Combat não está concentrada exclusivamente nas vitórias.

Segundo ele, a formação dos alunos envolve valores como respeito, disciplina, perseverança e humildade, considerados fundamentais para o desenvolvimento pessoal. Vitor explicou que ele e o professor Lucas procuram estimular os atletas a melhorar continuamente, sem permitir que os títulos e as medalhas interfiram negativamente em seu comportamento. “Exigimos que nossos alunos melhorem, que busquem ser pessoas melhores e que tenham humildade para reconhecer que não são superiores a ninguém. Um troféu ou uma medalha não pode mudar o caráter deles”, afirmou.

O treinador também ressaltou a importância do trabalho conjunto com Lucas, parceria que se aproxima de cinco anos.

Segundo Vitor, acompanhar três atletas em uma competição nacional exige atenção individualizada, já que cada lutador reage de maneira diferente à pressão. “Não é fácil lidar com três alunos, porque cada um tem seu jeito de enfrentar as situações. Mas eu e o Lucas trabalhamos juntos há quatro anos, caminhando para o quinto, e conseguimos utilizar nossa experiência para ajudar cada um deles”, explicou.


Emoção e lembrança do pai

Além das conquistas esportivas, a participação no campeonato teve um significado pessoal para Vitor Gabriel. Durante o relato sobre a competição, o professor lembrou a ausência do pai, que faleceu quando ele tinha 16 anos. Vitor contou que sempre desejou ter o pai ao seu lado para acompanhar sua trajetória nas artes marciais, tanto como atleta quanto como treinador. “Eu sempre quis que meu pai estivesse presente para me ver lutando e treinando meus alunos. No domingo, senti muito a ausência dele”, revelou.

O professor afirmou que a lembrança trouxe emoção, mas também reforçou sua determinação de continuar trabalhando com os jovens e contribuindo para a formação de novos atletas.

Para ele, a experiência representou mais uma etapa de amadurecimento pessoal e profissional.

  

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