O capitão da Caldense Fábio Paulista esteve na tarde de ontem na redação do Mantiqueira e desmentiu que estivesse trocando o time de Poços de Caldas pelo Mogi Mirim. O jogador lamentou a divulgação dos fatos sem que ele ou a Caldense tivessem sido consultados. O site www.futebolinterior.com.br divulgou a informação que acabou ganhando repercussão na cidade através de alguns órgãos de imprensa. O Mantiqueira procurou contato com os responsáveis pelo site, que não citaram a fonte da notícia. Segundo eles um e-mail recebido pela Caldense desmentindo a informação estaria entrando no ar. Realmente uma nova notícia foi colocada no site, porém, ela não desmente que o jogador estaria assinando com outro clube e sim que a Caldense fez “jogo duro” e não liberou o atleta.
O presidente Laércio Martins afirmou que o clube nunca foi procurado pelo Mogi Mirim e quem quiser levar jogadores da Caldense terá que pagar a multa contratual. Confira entrevista com Fábio Paulista, que descarta qualquer possibilidade de deixar a Caldense antes do vencimento do seu contrato. E ainda como ele está encarando a preparação para o Campeonato Mineiro e como lida com a expectativa do início da competição dia 24 de janeiro.
Mantiqueira – Você vai mesmo trocar o futebol mineiro pelo paulista?
Fábio Paulista - Fiquei surpreso com essa história, não sabia de nada e tudo me deixou muito chateado. Isso é coisa da bola, não é a primeira vez que algo assim acontece e minha cabeça está focada no meu trabalho na Caldense, que é minha realidade e o clube com o qual tenho um contrato a cumprir.
Mantiqueira – Você chegou a ser procurado por alguém do Mogi?
Fábio Paulista – Tive sim um contato, fui procurado mas nada foi fechado de concreto. Houve uma conversa mas eu nem quis saber de valores devido ao meu compromisso com a Caldense até o final do Campeonato Mineiro. Não acho legal ficar conversando com outros clubes. Esse contato foi cerca de dois meses atrás mas quero deixar claro para a torcida da Caldense que nem passou pela minha cabeça sair daqui e disputar o campeonato paulista pelo Mogi Mirim. Vivo Caldense 24 horas, tenho um respeito muito grande por este clube e meu pensamento é o primeiro jogo do Campeonato Mineiro.
Mantiqueira – Qual o seu relacionamento com o Mogi Mirim hoje?
Fábio Paulista – Tenho o Mogi Mirim como minha casa, é o clube onde comecei, onde joguei durante 10 anos, fiz muitas amizades que mantenho até hoje. É um clube de uma grande estrutura e tenho um carinho e um respeito enorme por ele. O mesmo respeito que tenho pela Caldense. A torcida da Caldense pode esperar o mesmo Fabio Paulista que ela conhece. Caldense e Mogi são dois clubes que estão no meu coração mas a Caldense é minha realidade e são as cores verde e branco que defenderei neste primeiro semestre.
Mantiqueira – O torcedor pode ficar tranquilo, você não deixa a Caldense?
Fábio Paulista – Com certeza, essa notícia foi uma tremenda falta de responsabilidade de quem colocou na internet, uma falta de respeito com o clube e garanto que nada do que foi noticiado é verdade. No futebol hoje não se pode duvidar de nada e de repente essa notícia foi plantada por alguém querendo tumultuar o ambiente, mas garanto que a união na Caldense é grande e nada nos abala, nem ao grupo e nem a minha pessoa. Estamos pensando no campeonato, em nossos objetivos. Fiquei roendo o osso durante dois anos numa segunda divisão, não vai ser agora na primeira divisão que vou dar uma brecha e ir para outro clube. Claro que o Campeonato Paulista é a maior vitrine do futebol brasileiro mas estou feliz em Poços de Caldas e na Caldense. Disputando essa primeira divisão com certeza meu trabalho vai aparecer aqui também.
Mantiqueira – Se a Caldense continuar com o futebol no segundo semestre você fica?
Fabio Paulista – Meu contrato vence no final do Campeonato Mineiro e tenho o costume de sempre dar prioridade para renovação com a equipe que estou. É cedo para conversar sobre isso. Quero fazer um belo Campeonato Mineiro com a Caldense e ajudar a colocar esse time numa série D do Campeonato Brasileiro e ter assim um calendário para o ano todo.
Mantiqueira – Como você avalia o trabalho que está sendo feito desde julho visando à volta da Caldense para a elite mineira?
Fábio Paulista – Esse trabalho no segundo semestre para os atletas que ficaram no clube e para os novos contratados foi muito proveitoso, a Caldense larga na frente e tem tudo para fazer um ótimo Estadual. Hoje acredito que todos estão se sentindo em casa. O pessoal que veio do Cruzeiro, como o volante André e o Carciano, já está completamente integrado, todos no mesmo nível fisicamente e agora está nas mãos do Alemão, que vai decidir que está melhor, quem joga e quem fica no banco.
Mantiqueira – Como anda a cabeça, faltando pouco para a estreia na elite mineira?
Fábio Paulista. Estou tranquilo, claro que um pouco ansioso de querer que chegue logo o dia da primeira partida. Ainda estamos num começo, fizemos só três amistosos, sendo que um deles não foi muito bom e outros dois apenas razoáveis e estamos tentando melhorar, acho que ainda falta muito para a gente chegar no nível ideal e ainda falta muito trabalho para o time estar bem para o primeiro jogo. Temos muito o que melhorar. O Alemão estão nos cobrando muito e ele quer um time compacto, quer que a gente lá de trás encoste no meio e o meio vai para perto do ataque para não criar um buraco, os laterais já marcarem no campo de ataque e para que tudo isso funcione ainda precisa de muito trabalho, temos que ter os pés no chão. Sabemos das dificuldades de um campeonato mineiro, hoje talvez a segunda força do Brasil, e temos que chegar bem na competição.
Mantiqueira – A tabela é um adversário a mais?
Fábio Paulista – Acredito que não. Tudo depende de nós jogadores, que temos de fazer nosso trabalho dentro de campo. Teremos uma estreia em casa e vamos procurar fazer os três pontos aqui e depois haverá dois jogos complicados fora, mas se a gente quer alguma coisa a mais dentro da competição, vestindo a camisa da Caldense, temos que ter um objetivo maior. Assim, precisamos buscar os resultados fora de casa também, principalmente contra os times do interior. O jogo contra o Cruzeiro para nós é uma empolgação maior, o ápice do jogador que está no interior que quer num jogo deste mostrar serviço mesmo. Dentro de campo temos que fazer o melhor com muita motivação, com muita vontade e tenho certeza que assim a tabela não vai influenciar muito em nossa campanha.
Mantiqueira - Você destaca algum jogo-chave neste início de campeonato?
Fábio Paulista – Pra mim o jogo-chave é dia 24 contra o Democrata em Poços de Caldas. É assim que funciona para nós jogadores. Depois desta partida é que a gente vai ver o que acontece, não tem como pensar no Cruzeiro, no Atlético, no Ipatinga, primeiro temos que pensar no Democrata, acabou esta partida, vamos pensar no Uberaba e assim por diante, uma sequência.
Mantiqueira – O que o time espera da torcida?
Fábio Paulista – A gente espera um grande apoio e que todos os jogos tenham casa cheia. A torcida da Caldense é apaixonada pelo clube e todos os atletas já perceberam isso. Ela cobra muito pois sabe que existe um elenco forte e no campeonato esperamos uma torcida muito aguerrida que jogue com a gente dentro de campo.
quarta-feira, 6 de janeiro de 2010
Liga divulga tabela da Taça Campeão dos Campeões
A Liga Poços-caldense de Futebol divulgou na noite de ontem a tabela para a Taça Campeão dos Campeões, primeira competição do ano e que reúne os vencedores dos principais campeonatos de 2009. De última hora mais quatro clubes foram incluídos. A competição terá início dia 17 de janeiro e seu encerramento acontece dia 5 de fevereiro, às 19h45, horário pouco convencional para o futebol amador. Por se tratar de uma dia normal de semana em que muitos atletas trabalham seria mais conveniente que o jogo fosse disputado num domingo pela manhã mas a LPF resolveu atender alguns pedidos e a data não será alterada.
terça-feira, 5 de janeiro de 2010
Wagner Sidney Silva - O esporte especializado da Caldense em boas mãos
O primeiro entrevistado de 2010 é Wagner Sidney Silva, professor de educação física,
pós-graduado na Faculdades Metropolitanas Unidas - FMU em São Paulo em Educação Fisica Escolar e coordenador do esporte especializado da Associação Atlética Caldense. Ele fala de sua história e como será o ano neste setor esportivo do clube.
Ligação com o esporte
“Sou de Mogi Guaçu e minha ligação com o esporte começou através da Educação Física. Um professor de Mogi achou que eu tinha uma boa estatura (1,90m) e ainda certa habilidade e me levou para o basquetebol. Foi uma experiência muito bacana pois ali peguei gosto pelo esporte definitivamente. Joguei algumas competições amadoras, nunca fui profissional, mas na região competi bastante. Acabei então tendo que fazer a opção que a maioria dos atletas amadores faz, deixar de me dedicar em tempo total ao esporte para trabalhar. Entrei no mercado de trabalho de 13 para 14 anos e só voltei a ter contato com o basquete quando entrei para a faculdade. Passei a defender a equipe da faculdade nos Jogos Universitários da região de Mogi Guaçú e novamente me vi envolvido com o basquetebol, esporte que está no sangue e do qual sou fã incondicional. Claro que hoje, devido ao cargo que ocupo na Caldense, acabei adquirindo gosto por todas as modalidades esportivas, mas minha ligação maior sempre foi com o basquete, modalidade que me levou a entender mais sobre a socialização e a amizade”.
Vinda para Poços de Caldas
“Vim a Poços de Caldas participar de um Enaf em 2000. Já conhecia o Júlio e o Edson. Neste mesmo tempo estava ocorrendo algumas mudanças dentro da Caldense, o Edson estava passando para a coordenação e o Júlio estava precisando de um professor no clube. Automaticamente me coloquei à disposição. Passado pouco tempo o Júlio me chamou e fiz uma entrevista com o Edson. Depois da maratona a Caldense me contratou. A escolha foi deles, participei, ajudei e me envolvi com o evento
Por este motivo tenho um carinho muito especial por esse evento tão tradicional na Caldense”.
Professor de Educação Física
“Quando não estava trabalhando dentro da Caldense ficava ocioso e acabei distribuindo alguns currículos. A Fungotac, hoje Colégio Nini Mourão, foi uma das escolas em que procurei trabalho. Tive a sorte que também naquele colégio estava saindo um profissional da minha área e surgiu uma vaga curriculo caiu na mão da coordenadora da época a Kelly Amado e do professor de educa física Bruno Vitti que tambem era amigo da faculdade. Acredito que tudo foi muito bem encaminhado por Deus, tanto na Caldense quando na escola. O trabalho de educação física escolar consegue proporcionar grande integração dos alunos com a atividade e os resultados são sempre muito gratificantes”.
Caldense
“Depois do meu início no basquetebol no clube com o Júlio, assumi a categoria feminina. Na época as meninas estavam sem treinar e fizemos com que o basquete feminino crescesse novamente, chegamos ao título do Jojuninho, um feito muito comemorado na época. Para mim foi tudo acontecendo de uma maneira muito boa, passei de auxiliar a treinador e fui conquistando resultados positivos. Não tenho dúvidas de que tudo tem o dedo de Deus, que abriu as portas no meu caminho. No meio do ano passado fui chamado pelo presidente Laércio Otávio Martins, que me fez a proposta para assumir a coordenação do esporte especializado do clube. Num primeiro momento fiquei assustado, pois o clube é muito grande. Depois fui vendo que com trabalho, fazendo tudo direitinho e contando com uma equipe boa, as coisas tendem a melhorar diariamente. Hoje, cuidando de tantas modalidades acabo vivenciando tudo que acontece no especializado da Caldense, tenho contato com todo mundo e acesso a outros níveis, outros patamares. O presidente Laércio Martins me dá uma abertura muito grande para que o clube tenha essa projeção de atividades como a que existe nos dias de hoje. A “carteira de atividades” no clube é muito grande. Hoje temos basquete, vôlei, handebol, tênis de mesa, peteca, futsal, squash, judô, brinquedoteca, futebol society, tênis de campo, enfim, várias atividades para trabalhamos no dia a dia. Tudo isso necessita de organização, planejamento para que funcione da melhor maneira possível”.
Balanço de 2009
“Achei que foi um ano muito proveitoso. Começamos a temporada passada de maneira muito positiva, pois no final de 2008 havíamos conquistado o Jojuninho. Em 2009 as meninas mantiveram a boa campanha e terminaram na terceira colocação. Vejo que o clube tem tudo para crescer cada vez mais no basquete, a cada ano que passa sempre pinta uma perspectiva maior. Todas as modalidades tiveram um ano muito intenso, cheios de atividades. Não dá para deixar de destacar o nosso voleibol, que foi campeão da APV. Tanto o vôlei quanto o basquete foram atividades que mobilizaram boa quantidade de público, em determinados momentos tivemos que fazer um remanejamento nas quadras devido à grande demanda de jogos e público nos campeonatos desses esportes. Acredito que em 2010 teremos um ano melhor ainda em todas as modalidades do clube. Algumas coisas que deram certo em 2009 vamos manter para 2010. Vamos analisar a participação em alguns campeonatos de vôlei e basquete, representar a cidade em alguns torneios e isso graças a Deus fizemos com orgulho e muita propriedade em anos anteriores. Temos um convênio com a Secretaria Municipal de Esporte e os resultados disso faz muito bem para o esporte da cidade. Os resultados mostram que todos ganham nesta união. As coisas boas de 2009 temos a intenção de manter para esse ano. Ainda é cedo para falarmos do que vamos participar, mas representar Poços de Caldas é um ponto importantíssimo para nós. Uma das novidade do ano é o handebol que está iniciando suas atividades no clube e estamos procurando estruturar melhor o nosso tênis de mesa.”
Números
“Contamos com uma equipe muito bem estruturada para dar andamento a tudo que acontece dentro do clube. Temos professores desquash; voley; basquete; futsal; judo; recreadora; fisioterapeuta; tenis de mesa; tenis de campo, enfim, um grupo muito competente que trabalha para que o clube funcione bem. Não posso de jeito algum esquecer o pessoal da manutenção; limpeza; portaria e secretaria”.
Projetos sociais
“Hoje temos uma fila de espera muito grande para novos participantes dos projetos sociais dos Correios e da Petrobras. Cerca de 400 crianças (projeto dos Correios) e 450 crianças (projeto da Petrobras) participam dessas iniciativas e os trabalhos recomeçam em fevereiro. Existem sempre alguns meninos de competição que acabam saindo, outros permanecem tanto na iniciação quanto nas turmas intermediárias. Para participar de algum dos dois projetos o aluno precisa estar matriculado em escola pública, ser frequente às aulas, ter boas notas e disciplina. Temos uma equipe que trabalha isso especificamente. Contamos com uma psicóloga, temos um pessoal competente na psicopedagogia, muito envolvidos no projeto, psicólogos para intervir em algumas situações, assistente social que sabe detalhes dos pais, relacionamentos com os filhos, tudo isso dá uma estrutura para que possamos trabalhar com tranquilidade. Os dois projetos sociais estão numa base muito forte, existe uma participação tanto da comunidade para com o clube quanto do clube para a comunidade. O pai coloca a criança no projeto e essa criança tem sua aula com qualidade, com profissionalismo e a ela tem a possibilidade de melhorar automaticamente. No ano passado não tivemos intervenção da Petrobras com dinheiro mas mesmo assim o presidente Laércio Martins achou por bem segurar o projeto e não dispensar nenhuma criança. Agora está ocorrendo o repasse para o basquete masculino e feminino, volebol feminino, tênis de mesa e handebol. A iniciativa do presidente em bancar o projeto mesmo sem o repasse da Petrobras foi interessante pois deu uma estruturação e o menino não foi deixado de lado. A Caldense viu que poderia segurar esse menino para acrescentar a ele as oportunidades e o clube não recebeu nada por isso. Agora, com o repasse e a garantia de que o projeto vai continuar por mais um ano é bom para todos".
Novidades no clube
“Montamos uma brinquedoteca onde os pais podem deixar os filhos com uma recreadora, a Raquel, responsável pelas crianças. Ela tem publicado alguns artigos e um de seus trabalhos foi eleito entre os 60 melhores do país na USP. Isso mostra que trabalhamos com pessoas capacitadas e do mais alto padrão de profissionalismo. É natural queremos melhorar sempre a cada ano, buscar novos objetivos. A Caldense, por ser um clube intenso e com muitas atividades, precisa saber dosar cada área e com um planejamento financeiro para ficar mais fácil trabalhar. Todos têm o mesmo direito de ter um crescimento profissional”.
Colônia de férias
“Temos uma programação intensa na colônia de férias, hoje contando com cerca de 200 crianças divididas em turmas. Essa colônia leva as crianças para passeios em nossos pontos turísticos, cinemas, parques. Além de ter associados do clube a atividade é direcionada para participantes do projeto dos Correios. O próprio projeto tem esse parágrafo da socialização na vida das crianças e esse é o objetivo básico desta colônia de férias. Criança gosta de criança e nessas colônias você não consegue ver quem é do projeto e quem é do clube, todos estão muito integrados. Esses valores de companheirismo, apoio e amizade a gente quer que eles levem para o resto de suas vidas”.
Futuros das revelações
“Nossos projetos atendem o jovem até uma determinada idade, que é de 17 anos. Na parte de competição temos uma parceria com a prefeitura. Esse ano vamos dividir os custos iguais para os dois lados. Então, as meninas e meninos que estão saindo dos projetos podem ter a possibilidade de entrar na categoria infanto-juvenil, porém, tudo depende da negociação com a prefeitura. Temos um projeto que atende a iniciação esportiva mas a sequência do trabalho depende que a prefeitura nos dê uma contrapartida. Durante as competições muitos olheiros procuram buscar novos talentos e inúmeros meninos e meninas saem da Caldense para jogar em outros lugares. Temos um exemplo recente no basquete, que é o Renan, que esteve na seleção mineira. Estamos sempre deixando as portas abertas para nossos atletas crescerem dentro do esporte mineiro e nacional. Facilitamos para que nossas revelações se mantenham dentro do esporte e se não for na Caldense que seja em um grande clube do nosso Brasil”.
pós-graduado na Faculdades Metropolitanas Unidas - FMU em São Paulo em Educação Fisica Escolar e coordenador do esporte especializado da Associação Atlética Caldense. Ele fala de sua história e como será o ano neste setor esportivo do clube.
Ligação com o esporte
“Sou de Mogi Guaçu e minha ligação com o esporte começou através da Educação Física. Um professor de Mogi achou que eu tinha uma boa estatura (1,90m) e ainda certa habilidade e me levou para o basquetebol. Foi uma experiência muito bacana pois ali peguei gosto pelo esporte definitivamente. Joguei algumas competições amadoras, nunca fui profissional, mas na região competi bastante. Acabei então tendo que fazer a opção que a maioria dos atletas amadores faz, deixar de me dedicar em tempo total ao esporte para trabalhar. Entrei no mercado de trabalho de 13 para 14 anos e só voltei a ter contato com o basquete quando entrei para a faculdade. Passei a defender a equipe da faculdade nos Jogos Universitários da região de Mogi Guaçú e novamente me vi envolvido com o basquetebol, esporte que está no sangue e do qual sou fã incondicional. Claro que hoje, devido ao cargo que ocupo na Caldense, acabei adquirindo gosto por todas as modalidades esportivas, mas minha ligação maior sempre foi com o basquete, modalidade que me levou a entender mais sobre a socialização e a amizade”.
Vinda para Poços de Caldas
“Vim a Poços de Caldas participar de um Enaf em 2000. Já conhecia o Júlio e o Edson. Neste mesmo tempo estava ocorrendo algumas mudanças dentro da Caldense, o Edson estava passando para a coordenação e o Júlio estava precisando de um professor no clube. Automaticamente me coloquei à disposição. Passado pouco tempo o Júlio me chamou e fiz uma entrevista com o Edson. Depois da maratona a Caldense me contratou. A escolha foi deles, participei, ajudei e me envolvi com o evento
Por este motivo tenho um carinho muito especial por esse evento tão tradicional na Caldense”.
Professor de Educação Física
“Quando não estava trabalhando dentro da Caldense ficava ocioso e acabei distribuindo alguns currículos. A Fungotac, hoje Colégio Nini Mourão, foi uma das escolas em que procurei trabalho. Tive a sorte que também naquele colégio estava saindo um profissional da minha área e surgiu uma vaga curriculo caiu na mão da coordenadora da época a Kelly Amado e do professor de educa física Bruno Vitti que tambem era amigo da faculdade. Acredito que tudo foi muito bem encaminhado por Deus, tanto na Caldense quando na escola. O trabalho de educação física escolar consegue proporcionar grande integração dos alunos com a atividade e os resultados são sempre muito gratificantes”.
Caldense
“Depois do meu início no basquetebol no clube com o Júlio, assumi a categoria feminina. Na época as meninas estavam sem treinar e fizemos com que o basquete feminino crescesse novamente, chegamos ao título do Jojuninho, um feito muito comemorado na época. Para mim foi tudo acontecendo de uma maneira muito boa, passei de auxiliar a treinador e fui conquistando resultados positivos. Não tenho dúvidas de que tudo tem o dedo de Deus, que abriu as portas no meu caminho. No meio do ano passado fui chamado pelo presidente Laércio Otávio Martins, que me fez a proposta para assumir a coordenação do esporte especializado do clube. Num primeiro momento fiquei assustado, pois o clube é muito grande. Depois fui vendo que com trabalho, fazendo tudo direitinho e contando com uma equipe boa, as coisas tendem a melhorar diariamente. Hoje, cuidando de tantas modalidades acabo vivenciando tudo que acontece no especializado da Caldense, tenho contato com todo mundo e acesso a outros níveis, outros patamares. O presidente Laércio Martins me dá uma abertura muito grande para que o clube tenha essa projeção de atividades como a que existe nos dias de hoje. A “carteira de atividades” no clube é muito grande. Hoje temos basquete, vôlei, handebol, tênis de mesa, peteca, futsal, squash, judô, brinquedoteca, futebol society, tênis de campo, enfim, várias atividades para trabalhamos no dia a dia. Tudo isso necessita de organização, planejamento para que funcione da melhor maneira possível”.
Balanço de 2009
“Achei que foi um ano muito proveitoso. Começamos a temporada passada de maneira muito positiva, pois no final de 2008 havíamos conquistado o Jojuninho. Em 2009 as meninas mantiveram a boa campanha e terminaram na terceira colocação. Vejo que o clube tem tudo para crescer cada vez mais no basquete, a cada ano que passa sempre pinta uma perspectiva maior. Todas as modalidades tiveram um ano muito intenso, cheios de atividades. Não dá para deixar de destacar o nosso voleibol, que foi campeão da APV. Tanto o vôlei quanto o basquete foram atividades que mobilizaram boa quantidade de público, em determinados momentos tivemos que fazer um remanejamento nas quadras devido à grande demanda de jogos e público nos campeonatos desses esportes. Acredito que em 2010 teremos um ano melhor ainda em todas as modalidades do clube. Algumas coisas que deram certo em 2009 vamos manter para 2010. Vamos analisar a participação em alguns campeonatos de vôlei e basquete, representar a cidade em alguns torneios e isso graças a Deus fizemos com orgulho e muita propriedade em anos anteriores. Temos um convênio com a Secretaria Municipal de Esporte e os resultados disso faz muito bem para o esporte da cidade. Os resultados mostram que todos ganham nesta união. As coisas boas de 2009 temos a intenção de manter para esse ano. Ainda é cedo para falarmos do que vamos participar, mas representar Poços de Caldas é um ponto importantíssimo para nós. Uma das novidade do ano é o handebol que está iniciando suas atividades no clube e estamos procurando estruturar melhor o nosso tênis de mesa.”
Números
“Contamos com uma equipe muito bem estruturada para dar andamento a tudo que acontece dentro do clube. Temos professores desquash; voley; basquete; futsal; judo; recreadora; fisioterapeuta; tenis de mesa; tenis de campo, enfim, um grupo muito competente que trabalha para que o clube funcione bem. Não posso de jeito algum esquecer o pessoal da manutenção; limpeza; portaria e secretaria”.
Projetos sociais
“Hoje temos uma fila de espera muito grande para novos participantes dos projetos sociais dos Correios e da Petrobras. Cerca de 400 crianças (projeto dos Correios) e 450 crianças (projeto da Petrobras) participam dessas iniciativas e os trabalhos recomeçam em fevereiro. Existem sempre alguns meninos de competição que acabam saindo, outros permanecem tanto na iniciação quanto nas turmas intermediárias. Para participar de algum dos dois projetos o aluno precisa estar matriculado em escola pública, ser frequente às aulas, ter boas notas e disciplina. Temos uma equipe que trabalha isso especificamente. Contamos com uma psicóloga, temos um pessoal competente na psicopedagogia, muito envolvidos no projeto, psicólogos para intervir em algumas situações, assistente social que sabe detalhes dos pais, relacionamentos com os filhos, tudo isso dá uma estrutura para que possamos trabalhar com tranquilidade. Os dois projetos sociais estão numa base muito forte, existe uma participação tanto da comunidade para com o clube quanto do clube para a comunidade. O pai coloca a criança no projeto e essa criança tem sua aula com qualidade, com profissionalismo e a ela tem a possibilidade de melhorar automaticamente. No ano passado não tivemos intervenção da Petrobras com dinheiro mas mesmo assim o presidente Laércio Martins achou por bem segurar o projeto e não dispensar nenhuma criança. Agora está ocorrendo o repasse para o basquete masculino e feminino, volebol feminino, tênis de mesa e handebol. A iniciativa do presidente em bancar o projeto mesmo sem o repasse da Petrobras foi interessante pois deu uma estruturação e o menino não foi deixado de lado. A Caldense viu que poderia segurar esse menino para acrescentar a ele as oportunidades e o clube não recebeu nada por isso. Agora, com o repasse e a garantia de que o projeto vai continuar por mais um ano é bom para todos".
Novidades no clube
“Montamos uma brinquedoteca onde os pais podem deixar os filhos com uma recreadora, a Raquel, responsável pelas crianças. Ela tem publicado alguns artigos e um de seus trabalhos foi eleito entre os 60 melhores do país na USP. Isso mostra que trabalhamos com pessoas capacitadas e do mais alto padrão de profissionalismo. É natural queremos melhorar sempre a cada ano, buscar novos objetivos. A Caldense, por ser um clube intenso e com muitas atividades, precisa saber dosar cada área e com um planejamento financeiro para ficar mais fácil trabalhar. Todos têm o mesmo direito de ter um crescimento profissional”.
Colônia de férias
“Temos uma programação intensa na colônia de férias, hoje contando com cerca de 200 crianças divididas em turmas. Essa colônia leva as crianças para passeios em nossos pontos turísticos, cinemas, parques. Além de ter associados do clube a atividade é direcionada para participantes do projeto dos Correios. O próprio projeto tem esse parágrafo da socialização na vida das crianças e esse é o objetivo básico desta colônia de férias. Criança gosta de criança e nessas colônias você não consegue ver quem é do projeto e quem é do clube, todos estão muito integrados. Esses valores de companheirismo, apoio e amizade a gente quer que eles levem para o resto de suas vidas”.
Futuros das revelações
“Nossos projetos atendem o jovem até uma determinada idade, que é de 17 anos. Na parte de competição temos uma parceria com a prefeitura. Esse ano vamos dividir os custos iguais para os dois lados. Então, as meninas e meninos que estão saindo dos projetos podem ter a possibilidade de entrar na categoria infanto-juvenil, porém, tudo depende da negociação com a prefeitura. Temos um projeto que atende a iniciação esportiva mas a sequência do trabalho depende que a prefeitura nos dê uma contrapartida. Durante as competições muitos olheiros procuram buscar novos talentos e inúmeros meninos e meninas saem da Caldense para jogar em outros lugares. Temos um exemplo recente no basquete, que é o Renan, que esteve na seleção mineira. Estamos sempre deixando as portas abertas para nossos atletas crescerem dentro do esporte mineiro e nacional. Facilitamos para que nossas revelações se mantenham dentro do esporte e se não for na Caldense que seja em um grande clube do nosso Brasil”.
segunda-feira, 4 de janeiro de 2010
Temporada do amador tem início com reunião na LPF
A temporada de 2010 do futebol amador começa nesta terça-feira à noite na sede da Liga Poços-caldense de Futebol. Será realizada a reunião que definirá detalhes da Taça Campeão dos Campeões, que reunirá os vencedores dos principais campeonatos de 2009. A competição consegue agregar em uma mesma partida equipes do sub-20, que reúnem garotos no auge físico contra veteranos que mesmo tendo muita vontade e disposição dentro de campo não se encontram mais na forma ideal. Segundo o presidente da LPF Antônio Carlos dos Santos, o Ceará, são os próprios participantes dos times master que fazem questão de participar da competição. “Eles não admitem ficar de fora do torneio e como é um campeonato de abertura de temporada também acho que todos têm o direito de participar da festa”, disse Ceará.
Para participar da reunião de hoje, marcada para 10h30, foram convocados os dirigentes das equipes campeãs na temporada passada: Taça Poços de Futebol – C.A. Rosário; Campeonato Sub 20 - A. A. Caldense; Master Armando Aparecido Padroni - A.E.E. Flamengo/Tilibra; Amador Modulo I – C.R. Cruzeiro; Amador Modulo II – Guanabara F.C; Inter-bairros – Jardim Country Clube; Rural Aspirante – Cachoeirinha e Rural Titular – Ribeirão Santo Antônio.
A Taça Campeão dos Campões tem seu início no dia 17 deste mês e a reunião desta noite definirá os horários das partidas que serão disputadas em eliminatória simples. Em caso de empate o vencedor do confronto será definido através de cobranças de penalidades máximas. O torneio será disputado em três finais de semana.
Para participar da reunião de hoje, marcada para 10h30, foram convocados os dirigentes das equipes campeãs na temporada passada: Taça Poços de Futebol – C.A. Rosário; Campeonato Sub 20 - A. A. Caldense; Master Armando Aparecido Padroni - A.E.E. Flamengo/Tilibra; Amador Modulo I – C.R. Cruzeiro; Amador Modulo II – Guanabara F.C; Inter-bairros – Jardim Country Clube; Rural Aspirante – Cachoeirinha e Rural Titular – Ribeirão Santo Antônio.
A Taça Campeão dos Campões tem seu início no dia 17 deste mês e a reunião desta noite definirá os horários das partidas que serão disputadas em eliminatória simples. Em caso de empate o vencedor do confronto será definido através de cobranças de penalidades máximas. O torneio será disputado em três finais de semana.
sábado, 2 de janeiro de 2010
Sandro Meira Ricci: árbitro revelação da CBF fala de seu amor por Poços, regras e metas
Aspirante à Fifa e considerado pela grande mídia como a revelação da arbitragem brasileira, o poços-caldense Sandro Meira Ricci é nome quase certo para representar o Brasil em futuras Copas do Mundo. Ele esteve em Poços de férias e foi entrevistado pelo Mantiqueira. Sandro conta um pouco de sua trajetória desde que deixou a cidade e fala um pouco sobre os bastidores do futebol nacional.
Mantiqueira - Até quando você viveu em Poços de Caldas?
Sandro Meira Ricci – “Sou nascido em Poços de Caldas mas com apenas dois anos de idade fui para Brasília. Meu pai, funcionário do Banco do Brasil na época, foi transferido para a capital federal. Passei infância e adolescência lá, porém, todos os feriados e férias escolares eu vinha a Poços. Eu frequentava o clube da Caldense. Joguei amadoramente futebol em Milão, na Itália, morei naquele país durante três anos. Ao retornar ao Brasil eu treinei no Brasília, uma equipe do Distrito Federal, mas percebi que a pressão era grande e eu não aguentaria e resolvi desistir de vez da ideia de ser um jogador de futebol”.
Mantiqueira – Como surgiu a vontade de ser um juiz de futebol?
Sandro Ricci – “Em 1994 eu estava acompanhando a Copa do Mundo e ao assistir à final coloquei na cabeça que queria participar de eventos importantes como aquele. Comecei a trabalhar a ideia de ser um árbitro. Conclui a faculdade de Economia e em 2003 consegui fazer o curso de árbitro, já aos 30 anos de idade. Em 2004 coloquei o primeiro apito na boca e comecei a atuar em jogos de futebol. Já naquele ano fiz finais de categorias de base em Brasília. Minha estreia no futebol profissional foi em 2005. Em 2006 passei a integrar o quadro de árbitros da CBF (Confederação Brasileira de Futebol).
Mantiqueira – Como foram os primeiros trabalhos como árbitro da CBF?
Sandro Ricci – Infelizmente logo no primeiro ano enfrentei alguns percalços. Num jogo da Série C do Brasileiro tive uma atuação muito infeliz e acabei afastado por um ano. Só era convocado para ser reserva, atuar como quarto árbitro e não tive chance nenhuma para apitar jogos. Graças ao apoio que recebi do Jorge Paulo no final do ano de 2007, que acreditou no meu potencial e praticamente me recolocou no caminho da arbitragem, voltei a fazer jogos importantes e na época apitei a partida entre Remo e São Caetano pela Série B do Brasileiro. Essa partida decretou o rebaixamento do Remo para a Série C. Tive uma boa atuação e já no ano seguinte comecei a trabalhar em grandes campeonatos. Fiz jogos da Copa do Brasil, que é uma espécie de torneio experimental para todo juiz de futebol, fiz muitos jogos da série B e cinco jogos da Série A em 2008. Consegui construir um nome junto à Comissão de Arbitragem da CBF. Em 2008 eu fui o árbitro que mais atuou no futebol brasileiro incluindo as vezes em que fui juiz principal e quarto árbitro.
Mantiqueira – 2009 foi o seu grande ano?
Sandro Ricci – Em 2009 comecei a ter mais oportunidades e fortaleci meu nome no cenário nacional. Fiz 17 jogos da principal divisão do nosso futebol, perdi 15 sorteios e de 38 rodadas eu participei de 32, novamente fui o juiz que mais atuou pela CBF. Acabei sendo eleito de forma oficiosa pela imprensa brasileira como a revelação da arbitragem brasileira em 2009 e isso para mim foi uma grata surpresa. Em 2009 ainda acabei passando ao posto de aspirante do quadro da Fifa. O Brasil tem hoje 10 árbitros aspirantes à Fifa e eu sou um deles. Nossos jogos (Copa do Brasil e Brasileiro das séries D, C, B e A) são avaliados pela CBF e novamente me destaquei e fui o árbitro que teve a melhor média da avaliação.
Mantiqueira – Como é lidar com a pressão de grandes jogos?
Sandro Ricci – A preparação da arbitragem hoje é fechada em quatro pilares: o técnico, que é a condição do árbitro para apitar uma partida, o físico, que mostra se ele tem condições de fazer uma partida, o mental, que avalia se ele tem condições de suportar as pressões de um jogo de futebol, incluindo torcida, imprensa e dirigentes, e, finalizando, o social, que avalia o árbitro fora dos campos de futebol, sua formação acadêmica, intelectual, a vida social regrada, pois acabamos nos tornando um bem público. O árbitro não pode trabalhar esses pilares de maneira separada. É preciso trabalhar bem o lado psicológico para reagir bem a todo o tipo de pressão. No começo de carreira você fica impressionado com as pressões mas depois acaba se acostumando devido à experiência que se adquire. O que não pode é o árbitro deixar se levar por essas pressões, normais dentro do futebol.”
Mantiqueira – Você não acha que a arbitragem no Brasil deveria ser profissionalizada?
Sandro Ricci – “Sob um aspecto eu acho que sim. A partir do momento em que existir o juiz profissional da arbitragem ele vai se dedicar exclusivamente a trabalhar os quatro pilares que comentei antes. Por outro lado, a arbitragem como é hoje, que atua em jogos profissionais mas é amadora no ponto de vista legal, nos obriga a compartilhar profissões: a atividade de arbitragem com a profissão que sustenta sua família. Obviamente você se dedicando ao seu trabalho estará tendo menos tempo para se dedicar à arbitragem. Atualmente, o juiz de futebol é muito cobrado, por outro lado, ele não tem essa estrutura que dê a condição de atuar melhor. Fiz um campeonato abençoado em 2009 mas em 2010 tenho que ter atuações melhores, porém, nada é oferecido para essa melhoria a não ser a continuidade do trabalho sério, treinando todos os dias. Para se profissionalizar é preciso muito além de uma carteira assinada, você precisaria ter um plano de saúde, uma condição de treinar a parte física, um plano de acompanhamento de um nutricionista, fisioterapeuta. Acredito na profissionalização desde que ela ofereça ferramentas para que você possa se desenvolver como um atleta. Acho que o Brasil não esteja ainda preparado para isso. Não conheço ninguém que queira ser patrão de árbitro. Acredito que as federações não estão dispostas a dar essa estrutura e arcar com essa responsabilidade. Esse pensamento no Brasil ainda é muito verde, muito recente. Embora as equipes exijam do árbitro uma atuação melhor e sem erros ninguém quer pagar a conta disso. Então, acredito na profissionalização com uma forma de melhorar o árbitro mas vejo que isso ainda é uma realidade distante no Brasil”.
Mantiqueira - “Como você concilia sua preparação para os jogos com as atividades profissionais?
Sandro Ricci – “Praticamente em todos os momentos em que não estou trabalhando ou não tenho compromissos familiares, estou treinando pra estar bem durante as partidas dos campeonatos. Eu mesmo tenho minha academia, meu preparador físico, ou seja, uma estrutura. Tenho condições de ter um plano de saúde. Minha rotina semanal é composta de treinos diários em academias ou pista de atletismo, simulação de partidas. Procuro me preparar o melhor possível para suportar bem uma partida de futebol profissional”.
Mantiqueira – Qual a diferença de um jogo entre grandes equipes e um entre times pequenos para um juiz de futebol?
Sandro Ricci – Para o juiz todos os jogos têm que ter o mesmo peso, não existe camisa em jogo. Se não for assim ele não vai conseguir ter sucesso. A única vez que tive insucesso na arbitragem durante uma partida da Série C foi porque não dei a relevância que aquele jogo deveria ter tido. Lógico que a repercussão de um Fla-Flu, de um Corinthians e Palmeiras é muito maior que a de uma partida que reúne equipes menores do nosso futebol, mas o juiz sério tem que encarar todos os jogos como uma decisão e procurar fazer o trabalho da melhor forma possível, caso contrário ele não vai longe na profissão. Como eu já disse anteriormente, todos os jogos são avaliados por uma comissão da CBF. Encaramos nossa função de forma profissional e assim conseguimos ver todos os jogos de maneira igual, independentemente das divisões para as quais essas partidas são válidas”.
Mantiqueira – Qual o jogador mais complicado: aquele famoso ou aquele que está buscando o seu espaço?
Sandro Ricci – Na verdade não é difícil lidar com nenhum deles. O que acho realmente mais difícil é você não ter direito de resposta. Somos analisados por um lance, criticados, às vezes de uma forma injusta. A pressão da torcida, do dirigente ou do jogador a gente está preparado, não vejo nenhuma de forma negativa. O árbitro tem que estar preparado para isso ou automaticamente não tem condições de atuar numa partida de futebol. A pressão é nivelada, cada um tem seu papel. Para mim a pior pressão é a da imprensa devido a críticas que fazem sem te dar uma chance de se defender. A Fifa também não nos permite falar sobre a parte técnica e chega a ser desumano você ser criticado por um lance e não ter ninguém para analisar seu erro de forma positiva, tentando descobrir o porquê do erro. Geralmente só focam numa crítica que não é nada construtiva. Por essas razões, acho que a pressão da imprensa é a pior para um juiz de futebol”.
Mantiqueira – Como você vê a possibilidade de mais um árbitro auxiliar atrás dos gols?
Sandro Ricci – Sou completamente a favor da colocação de mais um árbitro atrás dos gols. Isso já foi adotado pela Federação do Rio de Janeiro e quanto mais olhos para enxergar o que as câmeras veem melhor. Qualquer ajuda é bem-vinda. Resta saber se nossos dirigentes estarão dispostos a implantar no Brasil todo, pois isso gera um custo alto e não sei até que ponto vai existir interesse em bancar mais essas despesas”.
Mantiqueira – Você acha que em casos em que um juiz influi diretamente num resultado de um jogo ele deveria ser repetido?
Sandro Ricci – “Esses julgamentos são feitos pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva. É importante esclarecer que existe o erro de direito e o erro de fato. O erro de fato é o erro de interpretação, é o erro do ser humano que olha o lance e enxerga outra coisa do que a imagem mostra. É o caso da mão do Henry no jogo entre França e Irlanda. Apesar de ter ficado evidente que aquilo foi mão, o árbitro não viu o lance e isso se caracterizou como erro de fato. Esse tipo de erro não permite que a partida seja realizada novamente. O erro de direito mostra um desconhecimento de regra. Vamos supor que um time joga com 12 jogadores, ganha o jogo e isso é validado pelo juiz. Neste caso caberia a anulação da partida. Todos se preocupam com o erro do árbitro e acho que a preocupação teria que ser em investimento na arbitragem para evitar que fatos assim ocorram.”
Mantiqueira – Na hora do pênalti, como você vê as paradinhas que se tornaram frequentes e até que ponto um goleiro pode se mexer?
Sandro Ricci – Para o goleiro a regra diz que ele não pode tirar os dois pés de cima da linha antes da cobrança. Por outro lado, as instruções da Fifa, que também fazem parte da regra, dizem que o árbitro assistente só deve assinalar a infração se o goleiro se adiantar descaradamente, ou seja, entre não tirar os pés da linha e se adiantar descaradamente existe um espaço que deve ser trabalhado em favor da arbitragem. Logicamente que o árbitro tem que ter bom senso, tomar uma decisão que atenda as duas equipes, que não interfira no trabalho dos times. O impulso do goleiro é natural para defender uma bola mas ao adiantamento, tirando os dois pés da linha, cabe uma punição. Com relação às paradinhas também existe muita polêmica. Me lembro que num jogo entre Atlético Paranaense e Palmeiras, em 2008, houve um pênalti para o Atlético e o Marcos, goleiro do Palmeiras, chegou pra mim e perguntou se eu iria permitir a jogada. Não respondi nada ao Marcos e solicitei que ele retornasse ao gol. Na cobrança o atacante do Atlético deu a paradinha, o Marcos caiu e o jogador marcou o gol. Marcos ficou muito irritado. Segundo ele e os demais jogadores do Palmeiras, na época alguns árbitros não aceitavam o lance como válido mas outros sim. Houve uma polêmica, uma grande discussão naquele momento e depois a paradinha foi legitimada no futebol brasileiro. Não vemos essa paradinha em nenhum outro país do mundo. O Blater, quando esteve no Brasil, fez alguns comentários sobre a paradinha mas até o momento essa jogada não tem nenhuma irregularidade no futebol brasileiro. A regra te dá espaços mas acho que a Fifa deveria tomar uma posição em relação a isso. O jogador brasileiro é criativo e às vezes surpreende até mesmo a Fifa. Pela CBF a paradinha está legitimada e eu vou seguir a regra. Sou a favor do bom futebol e contra qualquer iniciativa que iniba a criatividade do jogador”.
Mantiqueira – Qual jogador do futebol brasileiro é o melhor para se trabalhar e qual é complicado dentro de campo?
Sandro Ricci – Não vou citar quem é o pior por questões óbvias. Aquele jogador que se limita a jogar bola não reclama do árbitro, não fala com a arbitragem, é o melhor de se trabalhar. Maior exemplo hoje é o Petkovit do Flamengo que esse ano jogou muita bola e não fala quase nada com a arbitragem. O jogador fala com a arbitragem por dois motivos, ou ele está cansado ou não está jogando nada. Grandes craques como Zico e Romário, pessoas que realmente jogaram o fino do futebol, você não via falar com o juiz de futebol. Quem reclama não joga e quem joga não fala com o árbitro. Outro grande exemplo é o Hernanes do São Paulo, que é uma pessoa educada, joga muito e respeita a arbitragem”.
Mantiqueira - Quais são suas metas dentro da arbitragem brasileira?
Sandro Ricci – Primeiramente quero fazer parte do quadro da Fifa. Não penso ainda em apitar um jogo internacional ou de Copa do Mundo, tudo tem que ser feito dentro do tempo certo. Primeiro que entrar para o quadro da Fifa e depois sim pensar em competições fora do país. Quero em 2010 fazer um excelente Campeonato Brasileiro. Se não entrar agora para o quadro da entidade máxima do futebol mundial vou ter paciência e esperar 2011 quando o Simon se aposenta e poderei ter minha chance”.
Mantiqueira – Você acompanha o esporte de Poços de Caldas”
Sandro Ricci – Hoje a internet não permite mais que você se distancie de suas origens. Sei o que está acontecendo aqui, fiquei triste ao saber que a Caldense havia caído para a segunda divisão. A Caldense tem uma tradição de estar entre os principais de Minas, foi campeã em 2002 e aquela situação me entristeceu. Depois fiquei satisfeito em saber que a cidade tem outra equipe profissional, que é o Poços de Caldas FC, e torço muito pelo seu sucesso no futebol do interior mineiro e quem sabe do futebol brasileiro. Desejo que a Caldense se mantenha na primeira divisão e brigue por títulos nesta divisão e torço para que o Poços de Caldas consiga também o seu acesso. Ou seja, torço muito para o futebol desta terra maravilhosa.
Mantiqueira – Existe alguma possibilidade de você fazer parte do quadro da Federação Mineira de Futebol?
Sandro Ricci – “Isso dependeria de um convite. A Federação Mineira hoje é muito bem servida de árbitros, grandes nomes do Brasil estão na FMF, tive oportunidade de trabalhar com alguns e acho que a FMF não precisa de mim. Por outro lado devo muito à Federação de Brasília. Foi ela quem me abriu as portas, me deu oportunidades, me acolheu muito bem. Tenho uma dívida de gratidão grande com a Federação de Brasília. Existe uma possibilidade de atuar em alguma partida do Campeonato Mineiro por convite mas não vejo nenhuma necessidade pois o quadro da FMF é muito bom.
Mantiqueira – Quais familiares você ainda possui em Poços de Caldas?
Sandro Ricci – Todos os irmãos de minha mãe e de meu pai são de Poços de Caldas. Em Brasília estão meus pais, eu, minha esposa Gabriela e meus filhos, os demais moram aqui. Então minha ligação com Poços de Caldas é forte pois meus parentes todos estão aqui”.
Mantiqueira – Qual sua equipe de coração?
Sandro Ricci – Claro que todo árbitro já teve sua equipe de coração quando não atuava em competições. Eu não sou uma exceção, já fui fanático, tive minha equipe mas hoje sou um torcedor da seleção brasileira. Infelizmente a população não separa o árbitro. Então, hoje, de coração, me declaro torcedor apaixonado, além da seleção, da Caldense e do Poços de Caldas.
Mantiqueira – Como você vê a arbitragem feminina nos dias de hoje?
Sandro Ricci – Para bandeirar acho muito bom. Elas são mais detalhistas que os homens e o trabalho acaba sendo até melhor. Para apitar não acho que seja o ideal. Não porque elas sejam incapazes, mas sim pelo físico. O homem é mais forte, corre mais e elas não conseguem acompanhar. Se a mulher conseguisse atuar entre os homens a Marta certamente estaria jogando em algum time masculino. Ela é a melhor do mundo mas não aguentaria um jogo de futebol masculino. Eles são mais fortes e logo ela estaria com alguma contusão séria. Não estou sendo machista. É apenas uma questão física. Gosto muito do trabalho das mulheres, mas no esporte existem limitações que precisam ser respeitadas”.
Mantiqueira – Você pensa em um dia voltar a morar em Poços de Caldas?
Sandro Ricci – Como um apaixonado por essa cidade eu pretendo sim um dia voltar a morar aqui. Nessa minha passagem fiz contatos importantes com muitas pessoas, com a imprensa da cidade, com os clubes, enfim, a sociedade futebolística de Poços me recebeu muito bem. Meu sonho é que ao encerrar minha carreira, espero que somente aos 45 anos, como árbitro internacional, quem sabe um dia não apite um clássico local entre Caldense e Poços de Caldas e que esse jogo seja amistoso, para que seja uma partida mais tranquila de apitar. Esse é meu desejo”.
Mantiqueira - Até quando você viveu em Poços de Caldas?
Sandro Meira Ricci – “Sou nascido em Poços de Caldas mas com apenas dois anos de idade fui para Brasília. Meu pai, funcionário do Banco do Brasil na época, foi transferido para a capital federal. Passei infância e adolescência lá, porém, todos os feriados e férias escolares eu vinha a Poços. Eu frequentava o clube da Caldense. Joguei amadoramente futebol em Milão, na Itália, morei naquele país durante três anos. Ao retornar ao Brasil eu treinei no Brasília, uma equipe do Distrito Federal, mas percebi que a pressão era grande e eu não aguentaria e resolvi desistir de vez da ideia de ser um jogador de futebol”.
Mantiqueira – Como surgiu a vontade de ser um juiz de futebol?
Sandro Ricci – “Em 1994 eu estava acompanhando a Copa do Mundo e ao assistir à final coloquei na cabeça que queria participar de eventos importantes como aquele. Comecei a trabalhar a ideia de ser um árbitro. Conclui a faculdade de Economia e em 2003 consegui fazer o curso de árbitro, já aos 30 anos de idade. Em 2004 coloquei o primeiro apito na boca e comecei a atuar em jogos de futebol. Já naquele ano fiz finais de categorias de base em Brasília. Minha estreia no futebol profissional foi em 2005. Em 2006 passei a integrar o quadro de árbitros da CBF (Confederação Brasileira de Futebol).
Mantiqueira – Como foram os primeiros trabalhos como árbitro da CBF?
Sandro Ricci – Infelizmente logo no primeiro ano enfrentei alguns percalços. Num jogo da Série C do Brasileiro tive uma atuação muito infeliz e acabei afastado por um ano. Só era convocado para ser reserva, atuar como quarto árbitro e não tive chance nenhuma para apitar jogos. Graças ao apoio que recebi do Jorge Paulo no final do ano de 2007, que acreditou no meu potencial e praticamente me recolocou no caminho da arbitragem, voltei a fazer jogos importantes e na época apitei a partida entre Remo e São Caetano pela Série B do Brasileiro. Essa partida decretou o rebaixamento do Remo para a Série C. Tive uma boa atuação e já no ano seguinte comecei a trabalhar em grandes campeonatos. Fiz jogos da Copa do Brasil, que é uma espécie de torneio experimental para todo juiz de futebol, fiz muitos jogos da série B e cinco jogos da Série A em 2008. Consegui construir um nome junto à Comissão de Arbitragem da CBF. Em 2008 eu fui o árbitro que mais atuou no futebol brasileiro incluindo as vezes em que fui juiz principal e quarto árbitro.
Mantiqueira – 2009 foi o seu grande ano?
Sandro Ricci – Em 2009 comecei a ter mais oportunidades e fortaleci meu nome no cenário nacional. Fiz 17 jogos da principal divisão do nosso futebol, perdi 15 sorteios e de 38 rodadas eu participei de 32, novamente fui o juiz que mais atuou pela CBF. Acabei sendo eleito de forma oficiosa pela imprensa brasileira como a revelação da arbitragem brasileira em 2009 e isso para mim foi uma grata surpresa. Em 2009 ainda acabei passando ao posto de aspirante do quadro da Fifa. O Brasil tem hoje 10 árbitros aspirantes à Fifa e eu sou um deles. Nossos jogos (Copa do Brasil e Brasileiro das séries D, C, B e A) são avaliados pela CBF e novamente me destaquei e fui o árbitro que teve a melhor média da avaliação.
Mantiqueira – Como é lidar com a pressão de grandes jogos?
Sandro Ricci – A preparação da arbitragem hoje é fechada em quatro pilares: o técnico, que é a condição do árbitro para apitar uma partida, o físico, que mostra se ele tem condições de fazer uma partida, o mental, que avalia se ele tem condições de suportar as pressões de um jogo de futebol, incluindo torcida, imprensa e dirigentes, e, finalizando, o social, que avalia o árbitro fora dos campos de futebol, sua formação acadêmica, intelectual, a vida social regrada, pois acabamos nos tornando um bem público. O árbitro não pode trabalhar esses pilares de maneira separada. É preciso trabalhar bem o lado psicológico para reagir bem a todo o tipo de pressão. No começo de carreira você fica impressionado com as pressões mas depois acaba se acostumando devido à experiência que se adquire. O que não pode é o árbitro deixar se levar por essas pressões, normais dentro do futebol.”
Mantiqueira – Você não acha que a arbitragem no Brasil deveria ser profissionalizada?
Sandro Ricci – “Sob um aspecto eu acho que sim. A partir do momento em que existir o juiz profissional da arbitragem ele vai se dedicar exclusivamente a trabalhar os quatro pilares que comentei antes. Por outro lado, a arbitragem como é hoje, que atua em jogos profissionais mas é amadora no ponto de vista legal, nos obriga a compartilhar profissões: a atividade de arbitragem com a profissão que sustenta sua família. Obviamente você se dedicando ao seu trabalho estará tendo menos tempo para se dedicar à arbitragem. Atualmente, o juiz de futebol é muito cobrado, por outro lado, ele não tem essa estrutura que dê a condição de atuar melhor. Fiz um campeonato abençoado em 2009 mas em 2010 tenho que ter atuações melhores, porém, nada é oferecido para essa melhoria a não ser a continuidade do trabalho sério, treinando todos os dias. Para se profissionalizar é preciso muito além de uma carteira assinada, você precisaria ter um plano de saúde, uma condição de treinar a parte física, um plano de acompanhamento de um nutricionista, fisioterapeuta. Acredito na profissionalização desde que ela ofereça ferramentas para que você possa se desenvolver como um atleta. Acho que o Brasil não esteja ainda preparado para isso. Não conheço ninguém que queira ser patrão de árbitro. Acredito que as federações não estão dispostas a dar essa estrutura e arcar com essa responsabilidade. Esse pensamento no Brasil ainda é muito verde, muito recente. Embora as equipes exijam do árbitro uma atuação melhor e sem erros ninguém quer pagar a conta disso. Então, acredito na profissionalização com uma forma de melhorar o árbitro mas vejo que isso ainda é uma realidade distante no Brasil”.
Mantiqueira - “Como você concilia sua preparação para os jogos com as atividades profissionais?
Sandro Ricci – “Praticamente em todos os momentos em que não estou trabalhando ou não tenho compromissos familiares, estou treinando pra estar bem durante as partidas dos campeonatos. Eu mesmo tenho minha academia, meu preparador físico, ou seja, uma estrutura. Tenho condições de ter um plano de saúde. Minha rotina semanal é composta de treinos diários em academias ou pista de atletismo, simulação de partidas. Procuro me preparar o melhor possível para suportar bem uma partida de futebol profissional”.
Mantiqueira – Qual a diferença de um jogo entre grandes equipes e um entre times pequenos para um juiz de futebol?
Sandro Ricci – Para o juiz todos os jogos têm que ter o mesmo peso, não existe camisa em jogo. Se não for assim ele não vai conseguir ter sucesso. A única vez que tive insucesso na arbitragem durante uma partida da Série C foi porque não dei a relevância que aquele jogo deveria ter tido. Lógico que a repercussão de um Fla-Flu, de um Corinthians e Palmeiras é muito maior que a de uma partida que reúne equipes menores do nosso futebol, mas o juiz sério tem que encarar todos os jogos como uma decisão e procurar fazer o trabalho da melhor forma possível, caso contrário ele não vai longe na profissão. Como eu já disse anteriormente, todos os jogos são avaliados por uma comissão da CBF. Encaramos nossa função de forma profissional e assim conseguimos ver todos os jogos de maneira igual, independentemente das divisões para as quais essas partidas são válidas”.
Mantiqueira – Qual o jogador mais complicado: aquele famoso ou aquele que está buscando o seu espaço?
Sandro Ricci – Na verdade não é difícil lidar com nenhum deles. O que acho realmente mais difícil é você não ter direito de resposta. Somos analisados por um lance, criticados, às vezes de uma forma injusta. A pressão da torcida, do dirigente ou do jogador a gente está preparado, não vejo nenhuma de forma negativa. O árbitro tem que estar preparado para isso ou automaticamente não tem condições de atuar numa partida de futebol. A pressão é nivelada, cada um tem seu papel. Para mim a pior pressão é a da imprensa devido a críticas que fazem sem te dar uma chance de se defender. A Fifa também não nos permite falar sobre a parte técnica e chega a ser desumano você ser criticado por um lance e não ter ninguém para analisar seu erro de forma positiva, tentando descobrir o porquê do erro. Geralmente só focam numa crítica que não é nada construtiva. Por essas razões, acho que a pressão da imprensa é a pior para um juiz de futebol”.
Mantiqueira – Como você vê a possibilidade de mais um árbitro auxiliar atrás dos gols?
Sandro Ricci – Sou completamente a favor da colocação de mais um árbitro atrás dos gols. Isso já foi adotado pela Federação do Rio de Janeiro e quanto mais olhos para enxergar o que as câmeras veem melhor. Qualquer ajuda é bem-vinda. Resta saber se nossos dirigentes estarão dispostos a implantar no Brasil todo, pois isso gera um custo alto e não sei até que ponto vai existir interesse em bancar mais essas despesas”.
Mantiqueira – Você acha que em casos em que um juiz influi diretamente num resultado de um jogo ele deveria ser repetido?
Sandro Ricci – “Esses julgamentos são feitos pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva. É importante esclarecer que existe o erro de direito e o erro de fato. O erro de fato é o erro de interpretação, é o erro do ser humano que olha o lance e enxerga outra coisa do que a imagem mostra. É o caso da mão do Henry no jogo entre França e Irlanda. Apesar de ter ficado evidente que aquilo foi mão, o árbitro não viu o lance e isso se caracterizou como erro de fato. Esse tipo de erro não permite que a partida seja realizada novamente. O erro de direito mostra um desconhecimento de regra. Vamos supor que um time joga com 12 jogadores, ganha o jogo e isso é validado pelo juiz. Neste caso caberia a anulação da partida. Todos se preocupam com o erro do árbitro e acho que a preocupação teria que ser em investimento na arbitragem para evitar que fatos assim ocorram.”
Mantiqueira – Na hora do pênalti, como você vê as paradinhas que se tornaram frequentes e até que ponto um goleiro pode se mexer?
Sandro Ricci – Para o goleiro a regra diz que ele não pode tirar os dois pés de cima da linha antes da cobrança. Por outro lado, as instruções da Fifa, que também fazem parte da regra, dizem que o árbitro assistente só deve assinalar a infração se o goleiro se adiantar descaradamente, ou seja, entre não tirar os pés da linha e se adiantar descaradamente existe um espaço que deve ser trabalhado em favor da arbitragem. Logicamente que o árbitro tem que ter bom senso, tomar uma decisão que atenda as duas equipes, que não interfira no trabalho dos times. O impulso do goleiro é natural para defender uma bola mas ao adiantamento, tirando os dois pés da linha, cabe uma punição. Com relação às paradinhas também existe muita polêmica. Me lembro que num jogo entre Atlético Paranaense e Palmeiras, em 2008, houve um pênalti para o Atlético e o Marcos, goleiro do Palmeiras, chegou pra mim e perguntou se eu iria permitir a jogada. Não respondi nada ao Marcos e solicitei que ele retornasse ao gol. Na cobrança o atacante do Atlético deu a paradinha, o Marcos caiu e o jogador marcou o gol. Marcos ficou muito irritado. Segundo ele e os demais jogadores do Palmeiras, na época alguns árbitros não aceitavam o lance como válido mas outros sim. Houve uma polêmica, uma grande discussão naquele momento e depois a paradinha foi legitimada no futebol brasileiro. Não vemos essa paradinha em nenhum outro país do mundo. O Blater, quando esteve no Brasil, fez alguns comentários sobre a paradinha mas até o momento essa jogada não tem nenhuma irregularidade no futebol brasileiro. A regra te dá espaços mas acho que a Fifa deveria tomar uma posição em relação a isso. O jogador brasileiro é criativo e às vezes surpreende até mesmo a Fifa. Pela CBF a paradinha está legitimada e eu vou seguir a regra. Sou a favor do bom futebol e contra qualquer iniciativa que iniba a criatividade do jogador”.
Mantiqueira – Qual jogador do futebol brasileiro é o melhor para se trabalhar e qual é complicado dentro de campo?
Sandro Ricci – Não vou citar quem é o pior por questões óbvias. Aquele jogador que se limita a jogar bola não reclama do árbitro, não fala com a arbitragem, é o melhor de se trabalhar. Maior exemplo hoje é o Petkovit do Flamengo que esse ano jogou muita bola e não fala quase nada com a arbitragem. O jogador fala com a arbitragem por dois motivos, ou ele está cansado ou não está jogando nada. Grandes craques como Zico e Romário, pessoas que realmente jogaram o fino do futebol, você não via falar com o juiz de futebol. Quem reclama não joga e quem joga não fala com o árbitro. Outro grande exemplo é o Hernanes do São Paulo, que é uma pessoa educada, joga muito e respeita a arbitragem”.
Mantiqueira - Quais são suas metas dentro da arbitragem brasileira?
Sandro Ricci – Primeiramente quero fazer parte do quadro da Fifa. Não penso ainda em apitar um jogo internacional ou de Copa do Mundo, tudo tem que ser feito dentro do tempo certo. Primeiro que entrar para o quadro da Fifa e depois sim pensar em competições fora do país. Quero em 2010 fazer um excelente Campeonato Brasileiro. Se não entrar agora para o quadro da entidade máxima do futebol mundial vou ter paciência e esperar 2011 quando o Simon se aposenta e poderei ter minha chance”.
Mantiqueira – Você acompanha o esporte de Poços de Caldas”
Sandro Ricci – Hoje a internet não permite mais que você se distancie de suas origens. Sei o que está acontecendo aqui, fiquei triste ao saber que a Caldense havia caído para a segunda divisão. A Caldense tem uma tradição de estar entre os principais de Minas, foi campeã em 2002 e aquela situação me entristeceu. Depois fiquei satisfeito em saber que a cidade tem outra equipe profissional, que é o Poços de Caldas FC, e torço muito pelo seu sucesso no futebol do interior mineiro e quem sabe do futebol brasileiro. Desejo que a Caldense se mantenha na primeira divisão e brigue por títulos nesta divisão e torço para que o Poços de Caldas consiga também o seu acesso. Ou seja, torço muito para o futebol desta terra maravilhosa.
Mantiqueira – Existe alguma possibilidade de você fazer parte do quadro da Federação Mineira de Futebol?
Sandro Ricci – “Isso dependeria de um convite. A Federação Mineira hoje é muito bem servida de árbitros, grandes nomes do Brasil estão na FMF, tive oportunidade de trabalhar com alguns e acho que a FMF não precisa de mim. Por outro lado devo muito à Federação de Brasília. Foi ela quem me abriu as portas, me deu oportunidades, me acolheu muito bem. Tenho uma dívida de gratidão grande com a Federação de Brasília. Existe uma possibilidade de atuar em alguma partida do Campeonato Mineiro por convite mas não vejo nenhuma necessidade pois o quadro da FMF é muito bom.
Mantiqueira – Quais familiares você ainda possui em Poços de Caldas?
Sandro Ricci – Todos os irmãos de minha mãe e de meu pai são de Poços de Caldas. Em Brasília estão meus pais, eu, minha esposa Gabriela e meus filhos, os demais moram aqui. Então minha ligação com Poços de Caldas é forte pois meus parentes todos estão aqui”.
Mantiqueira – Qual sua equipe de coração?
Sandro Ricci – Claro que todo árbitro já teve sua equipe de coração quando não atuava em competições. Eu não sou uma exceção, já fui fanático, tive minha equipe mas hoje sou um torcedor da seleção brasileira. Infelizmente a população não separa o árbitro. Então, hoje, de coração, me declaro torcedor apaixonado, além da seleção, da Caldense e do Poços de Caldas.
Mantiqueira – Como você vê a arbitragem feminina nos dias de hoje?
Sandro Ricci – Para bandeirar acho muito bom. Elas são mais detalhistas que os homens e o trabalho acaba sendo até melhor. Para apitar não acho que seja o ideal. Não porque elas sejam incapazes, mas sim pelo físico. O homem é mais forte, corre mais e elas não conseguem acompanhar. Se a mulher conseguisse atuar entre os homens a Marta certamente estaria jogando em algum time masculino. Ela é a melhor do mundo mas não aguentaria um jogo de futebol masculino. Eles são mais fortes e logo ela estaria com alguma contusão séria. Não estou sendo machista. É apenas uma questão física. Gosto muito do trabalho das mulheres, mas no esporte existem limitações que precisam ser respeitadas”.
Mantiqueira – Você pensa em um dia voltar a morar em Poços de Caldas?
Sandro Ricci – Como um apaixonado por essa cidade eu pretendo sim um dia voltar a morar aqui. Nessa minha passagem fiz contatos importantes com muitas pessoas, com a imprensa da cidade, com os clubes, enfim, a sociedade futebolística de Poços me recebeu muito bem. Meu sonho é que ao encerrar minha carreira, espero que somente aos 45 anos, como árbitro internacional, quem sabe um dia não apite um clássico local entre Caldense e Poços de Caldas e que esse jogo seja amistoso, para que seja uma partida mais tranquila de apitar. Esse é meu desejo”.
Tatiele fica em 19º na São Silvestre. Marcos Elias abandona
Mesmo enfrentando problemas físicos, Tatiele Roberta de Carvalho fez uma grande corrida de São Silvestre. A atleta chegou na 19ª colocação mesmo não estando na melhor de suas condições de saúde. “Senti muita fraqueza e passei muito mal”, disse ela. Tatiele é treinada por Agnaldo Alexandre e conta com apoio da Doces Guigui, do Lions Clube Urânio, Guarda Mirim, Sulparts Auto Peças e da Cooperativa de Créditos do Estado de São Paulo (Sicredi). Seu resultado foi muito bom apesar dos contratempos e ela volta a correr ainda este mês nas ruas de São Paulo. No dia 25 de janeiro Tatiele participa de uma prova em comemoração ao aniversário da capital paulista e para isso os treinamentos devem continuar nos próximos dias.
Marcos Elias
O outro atleta de Poços com chances de bom resultado em São Paulo não conseguiu concluir a prova. Marcos Queniano até teve um bom início, sendo inclusive destaque das câmeras da Rede Globo durante momentos da corrida. No entanto, logo ele foi perdendo posições até que teve que abandonar a prova. “Infelizmente senti novamente dores nos pés e tentei seguir na prova mas não deu e tive que parar”, disse Marcos que corre pelo Cruzeiro e conta com apoio da TV Poços e Farmácia Exclusiva.
Marcos Queniano disse que deve se afastar neste começo de ano das competições e vai intensificar o tratamento de suas dores nos pés.
Marcos Elias
O outro atleta de Poços com chances de bom resultado em São Paulo não conseguiu concluir a prova. Marcos Queniano até teve um bom início, sendo inclusive destaque das câmeras da Rede Globo durante momentos da corrida. No entanto, logo ele foi perdendo posições até que teve que abandonar a prova. “Infelizmente senti novamente dores nos pés e tentei seguir na prova mas não deu e tive que parar”, disse Marcos que corre pelo Cruzeiro e conta com apoio da TV Poços e Farmácia Exclusiva.
Marcos Queniano disse que deve se afastar neste começo de ano das competições e vai intensificar o tratamento de suas dores nos pés.
Poços ganha Lei de Incentivo ao Esporte
O ano começa de uma maneira muito positiva para o esporte na cidade. Foi criada a Lei de Incentivo ao Esporte, que não está mais agregada à Lei de Incentivo à Cultura. “Fizemos uma solicitação no passado para a Câmara Municipal para que fosse criada a Lei de Incentivo ao Esporte idêntica à da Cultura, porém, na época, os vereadores preferiram deixar o esporte com a cultura e foi assim até hoje. Agora, graças ao trabalho do prefeito Paulo César Silva e da secretária de governo Salma Neder Camacho, foi feita nova solicitação de separação das leis, sendo aprovada pelos vereadores por unânimidade”, disse Carlos Alberto dos Santos, o Lelo, secretário municipal de Esportes. “Quero agradecer aos vereadores que aprovaram uma lei que veio para beneficiar os projetos a serem desenvolvidos pelo esporte em Poços de Caldas’, concluiu ele. A lei abrange inclusive projetos para melhorias de praças esportivas. Segundo o secretário, campeonatos podem ser desenvolvidos agora com o apoio da lei, basta que seja feito um projeto dentro do orçamento. Uma das entidades que pode se beneficiar com o projeto é a Liga Poços-caldense de Futebol, que deve buscar recursos na lei para seus campeonatos. “Sabemos que a LPF enfrenta muitos problemas e a verba que a prefeitura repassa não dá para tocar todas as competições. Agora esse quadro de dificuldade pode se modificar”, disse Lelo.
Os projetos serão analisados por pessoas da área esportiva e acredita-se que a demanda será muito grande. Segundo Lelo, os projetos podem ser desenvolvidos tanto por pessoas jurídicas quanto físicas. “Para se ter um exemplo das facilidades que essa lei vai proporcionar, qualquer pessoa pode elaborar um projeto, desde que ele seja executado por um profissional da educação física, registrado em seu Conselho”, explica Lelo. “Foi um ganho que tivemos para esse ano novo e sem dúvida um grande presente para os amantes dos esportes de Poços de Caldas, dado pelo prefeito e pela Câmara de Vereadores”, conclui o secretário.
A lei na verdade só entra em vigor para valer em 2011, já que o projeto de incentivo para 2010 foi feito em agosto. “No segundo semestre deste ano vamos trabalhar e estudar como será 2011 e daí pra frente eternamente se Deus quiser”, conta o secretário.
Balanço do ano e novidades para 2010
Obras – “Tínhamos o compromisso de entregar algumas obras e conseguimos trabalhar para fechar o ano bem neste aspecto. Foram feitas melhorias de segurança no Estádio Municipal Dr. Ronaldo Junqueira e no Poliesportivo Dr. Arthur de Mendonça Chaves, atendendo a pedidos da Polícia Militar, Corpo de Bombeiros e Vigilância Sanitária. Foram obras concluídas com sucesso, prova disso é que o ginásio está liberado para grandes eventos enquanto que o estádio está apto para atender aos clubes da cidade com todos os alvarás dentro das exigências. O Ronaldão foi um dos primeiros estádios aprovados pela Federação Mineira. Há muito tempo a gente não conseguia deixar o estádio em boas condições de segurança e isso foi resolvido completamente esse ano. A pista de atletismo teve uma melhoria em sua estrutura com a construção de banheiro, vestiário e esses foram os destaques em termos de obras importantes. Foram feitos muitos reparos em praticamente todos os ginásios da cidade. Agora estamos trabalhando para a construção de um ginásio na zona leste e logo entregaremos uma praça esportiva para aquela população. O ginásio será construído no antigo campo de futebol do Nova Aurora. Será nosso carro chefe em 2010. Já foi licitada e a ordem de serviço será assinada nos próximos dias. Uma grande parceria com os nossos deputados que ofereceram a verba”.
Competições – “Conseguimos realizar todos os nossos eventos que estavam programados e ainda recebemos alguns de porte nacional, como a Mitsubishi Cup. Inicialmente ela não estava programada para acontecer na cidade e em três meses montamos uma estrutura exclusiva e adequada. Tivemos as Olimpíadas Escolares, evento grande, tivemos a Copa Petrobras de Handebol, Joju, Jojuninho, Lidarp, enfim, eventos importantes realizados em nossa cidade".
Calendário para 2010 – Já fizemos nosso calendário com os eventos locais e vamos ainda buscar outros. Infelizmente esse ano não seremos sede das Olimpíadas Escolares mas estamos trabalhando novos eventos fortes para o ano. Em 2011 as Olimpíadas Escolares podem voltar para Poços de Caldas. Este ano poderemos trazer o Campeonato Nacional da Terceira Idade, que agrega aproximadamente 1.500 pessoas do Brasil todo. Já para janeiro teremos dois grandes eventos locais.O primeiro será a Corrida Ciclística que estará agregada à primeira etapa do Campeonato da Média Paulista e com certeza teremos pilotos do mais elevado nível técnico. Essa prova ainda comemora a Comarca de Poços de Caldas. Fechando o mês acontece a corrida Volta ao Cristo, tradicional competição que entra em sua 28ª edição. Cerca de 150 atletas já estão inscritos pelo sistema online. A Contra Relógio, revista especializada em corrida pedestre, considerada a melhor publicação da área na América do Sul, colocou a Volta ao Cristo em seu calendário oficial, com fotos da competição, destacando Poços. Vê-se aí a importância da nossa Volta ao Cristo. Foi gratificante ver que a grande mídia coloca uma prova nossa como as principais do mundo".
Motocross – Vamos construir na área do Thatersal, com autorização do prefeito e em parceria com o pessoal do motocross, uma pista oficial de 1.200 m e nesta área receberemos eventos de nível nacional voltados para o motocross. O trabalho de terraplanagem já começou e a pista deve ser concluída no final deste mês. Haverá uma competição oficial nos dias 20 a 21 de fevereiro que receberá nomes importantes deste esporte radical.”
Placar do Ronaldão – “Tentamos por duas vezes uma parceria para resolver o problema do placar eletrônico do estádio e não conseguimos. Fizemos duas licitações e o custo gira em torno de 70 mil reais para colocar o placar que gostaríamos. Na primeira tentativa colocamos cinco anos para a empresa parceira explorar o placar e não apareceu ninguém. Na segunda licitação também não apareceu ninguém. Neste segunda tentativa passamos para dez anos a exploração do placar. A empresa faria um investimento de 70 mil e teria 10 anos para explorar propagandas no entorno do placar e não conseguimos. Então fizemos uma parceria com os alunos da Puc e vamos voltar a ter o placar antigo. Todo o sistema eletrônico dele foi reformado pelos alunos do curso de Engenharia Eletrônica, já fizemos alguns testes e ele está funcionando perfeitamente e será esse o placar durante os jogos do Campeonato Mineiro".
Capacidade do estádio – Nosso estádio não terá sua capacidade aumentada em curto período de espaço de tempo. A prefeitura tem outras prioridades e essa não é uma delas. Quando a Caldense foi campeã mineira em 2002 jogou a final em Poços. Mas naquele ano não tinha time grande na competição, ou seja, o campeonato é feito para time grande em Minas Gerais. Limitar a capacidade em jogos decisivos é exigência de Cruzeiro, Atlético e América e os times do interior, interessados em ganhar dinheiro, assinam concordando com isso. Se pode jogar na primeira fase, por que não pode jogar na segunda? Os times interessados em dinheiro concordam. Claro que na hora de jogar para 10 mil pessoas aqui ou 40 mil em BH eles vão preferir jogar lá. Então eu vejo que os clubes são responsáveis por isso. Agora vamos supor que a Caldense se classifique para jogar contra o Ituiutaba. Onde seria o jogo? Possivelmente no Mineirão. Quantas pessoas iriam ver esse jogo? Então qual é o caminho? Um acordo para jogar uma partida na Fazendinha e outra no Ronaldão. Na minha opinião um estádio que recebe um jogo numa fase inicial pode perfeitamente receber partidas do campeonato todo”.
Os projetos serão analisados por pessoas da área esportiva e acredita-se que a demanda será muito grande. Segundo Lelo, os projetos podem ser desenvolvidos tanto por pessoas jurídicas quanto físicas. “Para se ter um exemplo das facilidades que essa lei vai proporcionar, qualquer pessoa pode elaborar um projeto, desde que ele seja executado por um profissional da educação física, registrado em seu Conselho”, explica Lelo. “Foi um ganho que tivemos para esse ano novo e sem dúvida um grande presente para os amantes dos esportes de Poços de Caldas, dado pelo prefeito e pela Câmara de Vereadores”, conclui o secretário.
A lei na verdade só entra em vigor para valer em 2011, já que o projeto de incentivo para 2010 foi feito em agosto. “No segundo semestre deste ano vamos trabalhar e estudar como será 2011 e daí pra frente eternamente se Deus quiser”, conta o secretário.
Balanço do ano e novidades para 2010
Obras – “Tínhamos o compromisso de entregar algumas obras e conseguimos trabalhar para fechar o ano bem neste aspecto. Foram feitas melhorias de segurança no Estádio Municipal Dr. Ronaldo Junqueira e no Poliesportivo Dr. Arthur de Mendonça Chaves, atendendo a pedidos da Polícia Militar, Corpo de Bombeiros e Vigilância Sanitária. Foram obras concluídas com sucesso, prova disso é que o ginásio está liberado para grandes eventos enquanto que o estádio está apto para atender aos clubes da cidade com todos os alvarás dentro das exigências. O Ronaldão foi um dos primeiros estádios aprovados pela Federação Mineira. Há muito tempo a gente não conseguia deixar o estádio em boas condições de segurança e isso foi resolvido completamente esse ano. A pista de atletismo teve uma melhoria em sua estrutura com a construção de banheiro, vestiário e esses foram os destaques em termos de obras importantes. Foram feitos muitos reparos em praticamente todos os ginásios da cidade. Agora estamos trabalhando para a construção de um ginásio na zona leste e logo entregaremos uma praça esportiva para aquela população. O ginásio será construído no antigo campo de futebol do Nova Aurora. Será nosso carro chefe em 2010. Já foi licitada e a ordem de serviço será assinada nos próximos dias. Uma grande parceria com os nossos deputados que ofereceram a verba”.
Competições – “Conseguimos realizar todos os nossos eventos que estavam programados e ainda recebemos alguns de porte nacional, como a Mitsubishi Cup. Inicialmente ela não estava programada para acontecer na cidade e em três meses montamos uma estrutura exclusiva e adequada. Tivemos as Olimpíadas Escolares, evento grande, tivemos a Copa Petrobras de Handebol, Joju, Jojuninho, Lidarp, enfim, eventos importantes realizados em nossa cidade".
Calendário para 2010 – Já fizemos nosso calendário com os eventos locais e vamos ainda buscar outros. Infelizmente esse ano não seremos sede das Olimpíadas Escolares mas estamos trabalhando novos eventos fortes para o ano. Em 2011 as Olimpíadas Escolares podem voltar para Poços de Caldas. Este ano poderemos trazer o Campeonato Nacional da Terceira Idade, que agrega aproximadamente 1.500 pessoas do Brasil todo. Já para janeiro teremos dois grandes eventos locais.O primeiro será a Corrida Ciclística que estará agregada à primeira etapa do Campeonato da Média Paulista e com certeza teremos pilotos do mais elevado nível técnico. Essa prova ainda comemora a Comarca de Poços de Caldas. Fechando o mês acontece a corrida Volta ao Cristo, tradicional competição que entra em sua 28ª edição. Cerca de 150 atletas já estão inscritos pelo sistema online. A Contra Relógio, revista especializada em corrida pedestre, considerada a melhor publicação da área na América do Sul, colocou a Volta ao Cristo em seu calendário oficial, com fotos da competição, destacando Poços. Vê-se aí a importância da nossa Volta ao Cristo. Foi gratificante ver que a grande mídia coloca uma prova nossa como as principais do mundo".
Motocross – Vamos construir na área do Thatersal, com autorização do prefeito e em parceria com o pessoal do motocross, uma pista oficial de 1.200 m e nesta área receberemos eventos de nível nacional voltados para o motocross. O trabalho de terraplanagem já começou e a pista deve ser concluída no final deste mês. Haverá uma competição oficial nos dias 20 a 21 de fevereiro que receberá nomes importantes deste esporte radical.”
Placar do Ronaldão – “Tentamos por duas vezes uma parceria para resolver o problema do placar eletrônico do estádio e não conseguimos. Fizemos duas licitações e o custo gira em torno de 70 mil reais para colocar o placar que gostaríamos. Na primeira tentativa colocamos cinco anos para a empresa parceira explorar o placar e não apareceu ninguém. Na segunda licitação também não apareceu ninguém. Neste segunda tentativa passamos para dez anos a exploração do placar. A empresa faria um investimento de 70 mil e teria 10 anos para explorar propagandas no entorno do placar e não conseguimos. Então fizemos uma parceria com os alunos da Puc e vamos voltar a ter o placar antigo. Todo o sistema eletrônico dele foi reformado pelos alunos do curso de Engenharia Eletrônica, já fizemos alguns testes e ele está funcionando perfeitamente e será esse o placar durante os jogos do Campeonato Mineiro".
Capacidade do estádio – Nosso estádio não terá sua capacidade aumentada em curto período de espaço de tempo. A prefeitura tem outras prioridades e essa não é uma delas. Quando a Caldense foi campeã mineira em 2002 jogou a final em Poços. Mas naquele ano não tinha time grande na competição, ou seja, o campeonato é feito para time grande em Minas Gerais. Limitar a capacidade em jogos decisivos é exigência de Cruzeiro, Atlético e América e os times do interior, interessados em ganhar dinheiro, assinam concordando com isso. Se pode jogar na primeira fase, por que não pode jogar na segunda? Os times interessados em dinheiro concordam. Claro que na hora de jogar para 10 mil pessoas aqui ou 40 mil em BH eles vão preferir jogar lá. Então eu vejo que os clubes são responsáveis por isso. Agora vamos supor que a Caldense se classifique para jogar contra o Ituiutaba. Onde seria o jogo? Possivelmente no Mineirão. Quantas pessoas iriam ver esse jogo? Então qual é o caminho? Um acordo para jogar uma partida na Fazendinha e outra no Ronaldão. Na minha opinião um estádio que recebe um jogo numa fase inicial pode perfeitamente receber partidas do campeonato todo”.
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