sexta-feira, 22 de maio de 2026

Veterano do futebol de base, professor Adauto Viana Bastos destaca desafios da nova geração durante a Copa 2P

Poços de Caldas, MG - A Copa 2P, realizada em Poços de Caldas, segue reunindo não apenas jovens talentos do futebol regional, mas também personagens históricos do esporte de base. Entre os nomes presentes no evento, o experiente professor Adauto Viana Bastos, referência na formação de atletas e conhecido por décadas de dedicação ao futebol de base e ao trabalho com crianças e adolescentes.

Durante a competição organizada por Fernando Henrique dos Santos, o “Pelezinho”, Adauto acompanhou de perto as partidas, reencontrou amigos e falou sobre sua trajetória, os desafios da formação esportiva atual e as mudanças no comportamento das novas gerações dentro e fora de campo.

Com muitos anos dedicados ao esporte, Adauto emocionou ao falar sobre a paixão que ainda sente pelo trabalho com os jovens atletas. Segundo ele, mesmo após tantos anos de atuação, o prazer de estar próximo da garotada continua sendo o combustível para seguir em atividade. “Minha família mesmo fala, às vezes, que eu devia parar, descansar. Mas eu ainda encontro muito prazer no que faço. E isso é o fundamento de tudo. Enquanto você encontra prazer no que está fazendo, você tem que continuar. Não pode parar”, afirmou.

Em meio aos jogos e à movimentação da competição, o professor destacou a alegria de continuar convivendo com crianças, treinadores e pessoas ligadas ao esporte, ressaltando a importância dos laços criados ao longo dos anos. “Eu sinto muita alegria em estar aqui no meio da molecada, acompanhando isso tudo, encontrando amigos e vendo pessoas que sempre incentivaram o nosso trabalho. Isso é importantíssimo para a gente”, declarou.

Reconhecido pela experiência acumulada ao longo de décadas no futebol de base, Adauto também fez uma análise sobre as diferenças entre os jovens de antigamente e os atletas da atualidade. Para ele, o futebol mudou muito, principalmente em função da tecnologia, das facilidades modernas e do novo estilo de vida das crianças e adolescentes. “Hoje é muito mais difícil trabalhar com futebol. Muito mais difícil. O celular complicou bastante as coisas. Os meninos ficam até uma, duas horas da madrugada mexendo no celular, não dormem direito. Como é que vão render no outro dia? Não vão render”, comentou.

Segundo o professor, a nova geração possui muito mais acesso a recursos, materiais esportivos e estrutura do que os jovens de décadas atrás, mas nem sempre valoriza essas oportunidades da mesma forma. “Hoje o menino tem chuteira boa, tem estrutura, tem tudo o que o pai e a mãe conseguem dar. Não é como antigamente, quando existia muita dificuldade. Hoje é muito mais fácil. Só que muitos não valorizam isso. Alguns têm o sonho de jogar futebol e correm atrás do objetivo. Outros vão só para passar o tempo. Aí é diferente”, analisou.

Apesar das dificuldades, Adauto acredita que o futebol brasileiro continua revelando muitos talentos. Segundo ele, ainda existe uma grande quantidade de jovens promissores espalhados pelas cidades do interior e pelas escolinhas de futebol. “Ainda tem muito menino bom jogando por aí. Muito menino bom mesmo”, afirmou.

No entanto, ele também fez um alerta sobre as dificuldades financeiras enfrentadas por muitas famílias para proporcionar oportunidades aos filhos dentro do esporte. Para o veterano treinador, o aspecto econômico acaba sendo um dos principais obstáculos para que muitos talentos consigam alcançar clubes maiores e testes em equipes profissionais. “A sorte no futebol hoje está muito ligada a quem tem dinheiro. Se aparece um teste num clube grande, como no Guarani de Campinas, por exemplo, e o pai não tem dinheiro para levar o menino, como é que faz? Ele não consegue ir. O fator financeiro pesa muito hoje na chance que o menino vai ter no futebol”, lamentou.

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