Poços de Caldas, MG – Para quem imaginava que o fundo do poço do futebol profissional da Caldense seria disputar a Segunda Divisão do Campeonato Mineiro, o domingo de tempo fechado e céu nebuloso mostrou que a queda poderia ser ainda mais profunda. Um dos clubes mais tradicionais do interior de Minas Gerais está rebaixado e terá pela frente a Terceira Divisão estadual em 2027.
Campeã mineira em 2002, protagonista de uma campanha histórica no Campeonato Mineiro de 2015 e responsável por revelar e projetar nomes importantes do futebol brasileiro, a Veterana agora terá de encarar uma competição distante dos grandes palcos que marcaram sua trajetória.
A Terceira Divisão, disputada majoritariamente com atletas sub-23, reúne equipes em processo de estruturação e apresenta uma realidade bastante diferente daquela vivida pela Caldense durante décadas na elite do futebol mineiro. Os jogos são realizados, muitas vezes, em estádios de estrutura limitada. Uma situação que evidencia ainda mais a dimensão da queda alviverde.
O jogo do rebaixamento
Não há muito o que destacar tecnicamente da partida contra o Uberaba, disputada na tarde deste domingo, que consolidou o rebaixamento da Caldense. Apenas 308 torcedores enfrentaram o domingo de tempo ruim e compareceram ao Ronaldão. A renda foi de R$ 3.330.
Dentro de campo, as equipes fizeram um jogo movimentado, mas de baixo nível técnico. Mesmo utilizando uma formação reserva, o Uberaba venceu por 3 a 2. JP Bardales, Glauco e Joãozinho marcaram para os visitantes, enquanto Coutinho e Silas fizeram os gols da Veterana.
O ambiente nas arquibancadas também refletiu o momento do clube. Um protesto de torcedores, anunciado ao longo da semana, não chegou a acontecer. O rebaixamento foi confirmado praticamente em silêncio, diante de um público reduzido e de uma atmosfera fria no Ronaldão.
A campanha
O rebaixamento não aconteceu por acaso e, diante dos resultados, tornou-se apenas uma questão de tempo.
Em dez partidas, a Caldense conquistou somente uma vitória, diante do Boa Esporte, em Poços de Caldas, por um magro 1 a 0. A equipe ainda acumulou três empates e seis derrotas.
Foram apenas seis gols marcados e 14 sofridos. Números que ajudam a explicar a última colocação e mostram que dificilmente seria possível esperar um destino diferente em uma competição como o Módulo II (segunda divisão) do Campeonato Mineiro.
Os erros
Os erros ao longo da temporada foram muitos e começaram ainda na montagem do trabalho para a temporada.
A Caldense iniciou o campeonato sob o comando de Wellington Simião. Ex-jogador da Veterana e com passagens por clubes do futebol brasileiro, Simião ainda possuía pouca experiência como treinador. Antes de assumir a equipe alviverde, havia comandado o Poços de Caldas FC e o Vila Real, de Machado.
Dirigir a Caldense, porém, especialmente em uma competição decisiva para o futuro do clube, exigia experiência e conhecimento de um campeonato marcado pelo equilíbrio e pelas dificuldades dentro e fora de campo.
Após seis jogos e com a equipe em situação ja sendo desesperadora, a diretoria decidiu mudar. Rogério Henrique assumiu o comando técnico e Alex Joaquim chegou para integrar o novo trabalho na tentativa de evitar o pior.
Não funcionou. Foram quatro partidas sob o novo comando e quatro derrotas.
Na base do desespero, a diretoria ainda contratou seis jogadores para os compromissos finais da primeira fase. As mudanças no elenco também não surtiram efeito e a Caldense terminou a competição rebaixada.
E agora?
A principal pergunta passa a ser: qual será o futuro do futebol profissional da Caldense?
Nos bastidores e entre torcedores, já existem questionamentos sobre a possibilidade de o rebaixamento representar o fim das atividades profissionais do clube. Por outro lado, a expectativa é de que a diretoria não queira carregar a marca de encerrar o futebol justamente após uma das maiores quedas esportivas da história da Veterana.
Se o futebol será mantido, resta saber em quais condições e com qual projeto.
A Caldense deverá voltar a disputar uma competição oficial apenas no segundo semestre de 2027, com previsão de retorno aos gramados no fim de agosto. Até lá, haverá mais de um ano para decisões que poderão definir não apenas uma temporada, mas o futuro do futebol profissional do clube.
Dérbi pode voltar em 2027
Em meio ao pior momento da história recente da Caldense, uma antiga rivalidade do futebol de Poços de Caldas poderá ser retomada.
Tudo indica que Caldense e Poços de Caldas FC poderão se encontrar na Terceira Divisão do Campeonato Mineiro de 2027.
O Poços de Caldas FC retirou sua equipe da competição deste ano, mas há indicação de retorno ao campeonato na próxima temporada. Caso a participação seja confirmada, a cidade poderá novamente acompanhar um dérbi local, agora em uma realidade bem diferente daquela vivida pela Veterana durante boa parte de sua história.
Repercussão
O rebaixamento da Caldense teve repercussão imediata nas redes sociais. Torcedores lamentaram a queda para a Terceira Divisão e multiplicaram críticas à condução do futebol do clube.
Em grande parte dos comentários, o sentimento era de tristeza, indignação e preocupação com o futuro. Para muitos torcedores, a história vitoriosa construída pela Caldense ao longo de décadas foi duramente rasgada por uma campanha que termina com uma das páginas mais negativas da trajetória alviverde.
A Veterana, que já esteve no topo de Minas Gerais e viveu grandes momentos diante das principais equipes do país, agora terá de encontrar forças para começar praticamente do zero.
PAULO VITOR DE CAMPOS/MANTIQUEIRA
FOTOS LUCIANO SANTOS / CALDENSE
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