quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Xadrez avança nas escolas de Poços e projeto já atende mais de 300 alunos

Modalidade está presente em 15 escolas, a maioria públicas, e trabalho agora também busca formar novos professores para ampliar o atendimento no município


Poços de Caldas, MG – O xadrez vive um período de expansão em Poços de Caldas. Atualmente, aulas da modalidade são desenvolvidas em 15 escolas do município, a maioria da rede pública, alcançando mais de 300 alunos. Além de ampliar o número de praticantes, o projeto começa uma nova etapa: a preparação de pessoas que possam atuar como professores e permitir que o ensino do xadrez chegue a um número ainda maior de escolas.

O trabalho é desenvolvido pelo professor Willian Batista Silva, por meio do Poços Ativa e da Secretaria Municipal de Esportes. Segundo ele, a intenção é continuar aumentando a presença da modalidade até alcançar todas as escolas de Poços de Caldas.

“Hoje a gente está atendendo 15 escolas aqui no município. A maioria dessas escolas são públicas, pelo Poços Ativa, pela Secretaria de Esportes. O projeto vem crescendo cada vez mais e já estamos atendendo mais de 300 alunos”, destacou.

Para Willian, o crescimento não está limitado às aulas. A realização de competições, eventos e atividades especiais também tem ajudado a movimentar o cenário enxadrístico local, ao mesmo tempo em que novos jogadores começam a representar o município em torneios realizados fora da cidade.

Eventos fortalecem modalidade

Entre as atividades promovidas neste ano, Willian destacou a passagem do enxadrista Luis Paulo Supi por Poços de Caldas. O Grande Mestre participou de uma simultânea, enfrentando 30 jogadores ao mesmo tempo.

O professor considera que iniciativas desse tipo ajudam a despertar o interesse de novos praticantes e fortalecem o contato dos alunos com o xadrez competitivo.

“Tem muitos alunos jogando torneios fora e trazendo títulos para a cidade também. Estamos vivendo um cenário do xadrez em franca expansão em Poços”, afirmou.

Benefícios dentro da escola

A receptividade das escolas também é apontada pelo professor como um dos fatores importantes para o crescimento do projeto. Segundo Willian, existe atualmente uma compreensão maior sobre as possibilidades pedagógicas proporcionadas pelo xadrez.

Ele cita especialmente o estímulo ao raciocínio lógico, à concentração, à paciência e à capacidade de permanecer focado em determinada atividade.

Os resultados, segundo o professor, também são percebidos pelas famílias. Willian conta receber relatos de pais que identificam mudanças no comportamento dos filhos após o início das aulas.

“Os pais me dão feedbacks falando que o filho está se concentrando melhor, que até a leitura melhorou, que está ficando mais concentrado e mais calmo”, contou.

Para o professor, características próprias da modalidade contribuem para esse processo. Uma partida exige que o jogador observe, pense antes de tomar decisões, espere o adversário e desenvolva paciência ao longo do jogo.


Meta é chegar a todas as escolas

Com o aumento da procura, surge também um desafio: formar pessoas capacitadas para ensinar a modalidade.

Willian explicou que já existe um trabalho voltado à formação de novos professores. A intenção é criar condições para que novas unidades escolares sejam incorporadas gradativamente.

“Hoje eu atendo 15 escolas, só que a gente quer colocar xadrez em todas as escolas de Poços. Então, já estamos formando professores para começar a atender ainda mais escolas, até chegar a 100%, que é a nossa meta”, explicou.


De aluna a futura professora

Uma das pessoas que estão sendo preparadas para essa nova etapa é Clara Helena Cocarelli Oliveira. Ela começou a praticar xadrez em outubro de 2024 e, desde então, ampliou rapidamente sua participação nas atividades da modalidade.

Willian acompanha sua evolução há aproximadamente dois anos e acredita que Clara reúne características importantes para futuramente trabalhar com crianças.

Além da evolução como enxadrista, ela passou a colaborar na organização e arbitragem de competições.

“A Clara eu já estou preparando faz dois anos. Ela joga xadrez muito bem, já se destacou em campeonatos e também me ajuda na organização de eventos. Ela tem muito jeito com criança, e isso é muito importante”, disse Willian.

Para ele, conhecer tecnicamente o jogo não é suficiente para ensinar crianças. A relação construída pelo professor também pode ser decisiva para despertar o interesse do aluno.

“O que faz a criança se apaixonar pelo esporte não é só gostar do esporte, é gostar do professor também. Essa didática que o professor precisa ter com a criança é fundamental”, ressaltou.


Curiosidade virou paixão

Clara conta que seu primeiro contato com as aulas ocorreu por influência do irmão. Ele frequentava atividades de xadrez e comentou sobre a existência do projeto.

“Comecei em outubro de 2024. Conheci pelo meu irmão. Um dia ele chegou falando que tinha aula de xadrez. Achei muito interessante, fiquei curiosa e entrei em contato com o Willian. Ele comentou sobre o projeto Poços Ativa e foi por aí que comecei”, recordou.

O que inicialmente era apenas curiosidade rapidamente se transformou em uma atividade constante.

“Desde então, acho o xadrez uma coisa muito boa. Não consigo parar”, brincou.

Clara passou a participar principalmente de torneios realizados em Poços de Caldas e também começou a conhecer outros aspectos da organização das competições. Além de jogar, já colaborou na arbitragem de eventos na cidade e também participou dessa função em um torneio realizado em Muzambinho.

Entre as primeiras experiências competitivas, ela recorda com carinho um torneio realizado em um café da cidade. Segundo Clara, a competição marcou o começo de sua trajetória nos tabuleiros.

Experiência com crianças

A possibilidade de se tornar professora é vista com entusiasmo pela jovem. Antes mesmo do xadrez, Clara já havia trabalhado com crianças em outras atividades.

Ela conta que deu aulas de catequese na igreja e também teve experiência cuidando de crianças pequenas.

“Eu gosto bastante de ensinar. Já tive contato com crianças porque dei aulas de catequese e também já fui babá. Gosto muito de criança e acho que seria uma coisa que daria muito certo”, afirmou.

Agora, enquanto continua aperfeiçoando seu próprio jogo, Clara também começa a se preparar para transmitir o conhecimento adquirido.

Para Willian, a formação de novos professores representa um passo necessário para que o crescimento observado nos últimos anos possa continuar. A expectativa é transformar novos jogadores também em multiplicadores da modalidade, ampliando gradualmente o número de crianças e adolescentes que têm contato com o tabuleiro nas escolas de Poços de Caldas.

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