sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

Presidente da Caldense detalha planejamento para a temporada e explica escolha de Wellington Simião para comandar a Veterana

Poços de Caldas, MG – O presidente da Associação Atlética Caldense, Rovilson Jesus Ribeiro, falou sobre o planejamento para a próxima temporada e a confiança depositada no novo técnico, Wellington Simião. A Caldense chega ao seu terceiro ano consecutivo no Módulo II do Campeonato Mineiro e busca um novo caminho para retomar competitividade, equilíbrio financeiro e identidade esportiva.

Rovilson iniciou a conversa com o Mantiqueira fazendo uma análise sincera dos últimos anos. Segundo ele, as temporadas de 2024 e 2025 foram extremamente difíceis para a Veterana, com campanhas marcadas pela luta contra o rebaixamento até as rodadas finais. “Os números estão aí, os resultados mostram isso. Brigamos até o fim para não cair, e isso é muito penoso para a Caldense”, afirmou.

O presidente fez questão de destacar que disputar o Módulo II não é motivo de vergonha, lembrando que diversos clubes tradicionais do futebol mineiro também passam por essa realidade. “O futebol é muito dinâmico, muito intenso, e hoje é caro. A Caldense não tem calendário anual e não tem os recursos necessários para manter um time o ano inteiro. Montar uma equipe para disputar um campeonato não é brincadeira”, explicou.

Nesse contexto, Rovilson foi enfático ao afirmar que o insucesso das últimas temporadas não pode ser atribuído individualmente aos profissionais que passaram pelo departamento de futebol. “Eu seria injusto se colocasse a culpa em A, B ou C. Todos tentaram, todos fizeram o possível. Trouxemos o Alex, que é um grande profissional, trabalhou demais. Depois veio o Mauro Fernandes, um técnico rodado, experiente, que montou time, se dedicou intensamente e quase adoeceu no final de tão difícil que foi. Eu me incluo nisso tudo. Sou responsável também, sou dirigente do clube e não posso me isentar”, declarou.

Ao falar sobre a chegada de Wellington Simião, o presidente reforçou que a confiança no novo comandante é total, assim como foi com os treinadores anteriores. No entanto, ele reconhece que o desafio agora é ainda maior. “A dificuldade que o Wellington vai enfrentar é igual ou até maior do que a dos outros. Por quê? Porque a ideia é trabalhar com jovens, montar um time em outro formato, dentro de um projeto diferente. Claro que vamos colocar algumas peças mais rodadas para ajudar, mas não é simples”, avaliou.

Rovilson destacou como ponto positivo a receptividade do nome de Simião junto à torcida e ao meio esportivo local. “Ele é de Poços de Caldas, foi um jogador bem-sucedido, tem feito bons trabalhos como treinador. Quando anunciamos o nome dele, a aceitação foi muito boa, e isso ajuda bastante. A confiança é grande e vamos ajudá-lo da mesma forma que ajudamos os outros profissionais”, garantiu.

Questionado sobre a situação financeira do clube e a possibilidade de parcerias, o presidente foi realista. Ele explicou que a Caldense tem buscado parceiros há anos e que, em algumas ocasiões, os acordos estiveram próximos de se concretizar, mas acabaram não avançando. “Hoje não temos uma parceria específica com aporte financeiro. O ideal seria ter um parceiro forte, que ajudasse economicamente, porque isso permitiria montar um time ainda mais competitivo”, disse.

Enquanto isso, segundo Rovilson, o trabalho tem sido feito de outra forma. “O Wellington está buscando jogadores em clubes, conversando com pessoas que têm atletas promissores, jovens que ainda não tiveram oportunidade. A Caldense, mesmo estando no Módulo II, ainda é uma camisa pesada, respeitada em Minas e até no Brasil. Isso ajuda muito”, explicou. O presidente revelou ainda que o treinador já vinha trabalhando nesse mapeamento desde o ano passado. “Quando acertamos com ele, ele já colocou o pé na estrada”, completou.

Outro ponto abordado na entrevista foi o social do clube e as críticas de alguns associados em relação ao futebol profissional. Rovilson tratou o tema com cautela e visão ampla. “Não tem como você abandonar o futebol e viver só do social. Desde que entramos aqui, evoluímos o social e mantivemos o futebol. De 2019 para cá, apesar do rebaixamento, tivemos dois anos entre os quatro melhores do Estado, fazendo futebol de forma mais econômica, com parcerias”, lembrou.

O presidente reforçou que a atual gestão não trabalha para acabar com nenhuma modalidade esportiva. “Existem opiniões diferentes, claro. Tem sócio que prefere o fim do futebol, mas não estamos aqui para isso. Queremos fazer o futebol de forma menos penosa financeiramente”, afirmou.

Segundo ele, o grande desafio é manter o equilíbrio entre futebol e atividades sociais. “O estatuto permite que usemos recursos dentro de um limite para manter o futebol, mas não podemos sangrar o social em prol dele. As outras modalidades esportivas e os eventos sociais fazem parte do clube. Se perdermos receitas, não vamos ter nem social, nem futebol. O caminho é o equilíbrio”, concluiu.

Nenhum comentário: